ESPAÇO ABERTO
Novos horizontes municipais
Há alguns meses o então candidato a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, declarou que a vida dos brasileiros melhorou dentro de casa e piorou da porta da rua pra fora, numa referência à melhoria de renda, mas também à piora dos serviços públicos, constatação que embora óbvia e de senso comum, tem extrema importância para os prefeitos eleitos. Os novos prefeitos que assumirão os municípios no início de 2013 enfrentarão desafios tanto de gestão pública quanto de cunho político. A nova dinâmica social apresenta grandes obstáculos a serem vencidos e vícios administrativos a serem superados. A melhoria de condições de vida da população - como a emergência da nova classe média - tem aumentado a demanda e a cobrança por serviços públicos de qualidade. Por outro lado, a sociedade e o Ministério Público têm demonstrado intolerância em relação à corrupção e à má gestão do dinheiro público agindo de modo consistente contra os maus gestores.
A extrema necessidade de tornar os serviços públicos mais eficientes aliada a uma gestão ética e responsável pela qual os cidadãos têm clamado, deve ser o norte para os novos prefeitos. A escassez de recursos, como sempre, pode dificultar ainda mais a árdua missão. Planejamento viável, transparência na arrecadação e aplicação dos recursos financeiros e, sobretudo uma equipe comprometida com o município e os cidadãos, sejam técnicos ou políticos seus integrantes. É o que se deve esperar e cobrar dos próximos prefeitos, além de uma relação republicana com as câmaras de vereadores, priorizando em todos os casos os anseios da comunidade. Tudo isso se deve esperar do próximo prefeito, mas a responsabilidade não deve ser exclusivamente dele. O acompanhamento pela sociedade é fundamental, seja cobrando ou sugerindo ações e projetos. A participação de entidades de classes, conselhos e diversas associações pode servir para dar subsidios à equipe de governo na mediação dos interesses e conflitos que emergem no tecido social, para procurar, dentro do possível e razoável a solução dos problemas.
WILSON FRANCISCO MOREIRA é agente penitenciário e sociólogo em Londrina
Algumas explicações necessárias
A complementação do projeto original de Oscar Niemeyer (da atual estação rodoviária de Londrina) não era obra faraônica, segundo engenheiros que ouvi. Compreendia uma laje a mais, que abrigaria um restaurante todo envidraçado e áreas de estar. O notável arquiteto (que viera a Londrina) queria que não apenas os passageiros se beneficiassem, mas também o povo em geral. Os mesmos engenheiros afirmam que o gasto não seria mirabolante, porque as fundações já estavam implantadas, e que o que se gastou com a explosão das grossas colunas então erguidas e com as adaptações ao novo projeto pagaria boa parte da terceira laje.
O prefeito idealizador (que contratara Niemeyer) já havia construído mais de metade da obra, depois de haver desapropriado o terreno ali e as casas que abrigavam a zona do meretrício. A forma circular e a funcionalidade das duas partes baixas foram mantidas, mas sabem todos que no inverno o vento frio entra pelas laterais abertas, em função da mudança do desenho. Nada então era extravagante, mas algo à altura da florescente cidade. Obras idênticas já haviam sido construídas aqui. Londrina, pela sua arrojada performance, seria, então, também uma obra faraônica.
O projeto original tinha duas escadas rolantes, não construídas, mas no lugar delas foram inexplicavelmente colocados dois blocos de cimento pesando toneladas. Estava à mostra, e todos diziam que seria uma tentativa de obstruir futuras escadas rolantes - o que o prefeito Nedson Micheleti viria a instalar. Ainda acho possível restaurar, no futuro, o projeto original, e assim Londrina (vaidade que seja) poder ostentar uma obra integral do genial arquiteto. Quanto ao aterro que sufocou parte do lago Igapó, eminente porta-voz da então administração municipal - a mesma que mudou o projeto de Niemeyer - declarara publicamente na ocasião que "a medida era necessária". O prefeito nunca contestou isso na época.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





