Aproxima-se o aniversário de Londrina. Aproxima-se o Natal. Apenas 15 dias separam as duas datas que tanto significam para todos nós. É tempo de olhar para o futuro - e fazer planos para o ano que se inicia. Mas também é tempo de refletir sobre o passado - e relembrar o exemplo de nossos pioneiros. É tempo de caminhar rumo ao desenvolvimento. É tempo de abandonar velhas práticas que impedem a evolução da cidade. É tempo de vivenciar a ética do trabalho e mudar para melhor, com ordem e respeito às leis.
Londrina nasceu de uma iniciativa empresarial. Homens e mulheres de diversas partes do mundo vieram para o Norte do Paraná em busca de um sonho. Queriam construir um lugar bom para viver, e o caminho só poderia ser um: trabalho. Trabalho incansável. Trabalho dia e noite. Trabalho que exigiu sangue, suor e lágrimas de nossos pais e avós.
O esforço valeu a pena. Hoje temos orgulho da cidade que ajudamos a construir. Mas é preciso lembrar que a realização do sonho chamado Londrina só foi possível porque as pessoas tiveram liberdade para trabalhar. Infelizmente, há algumas lideranças locais que se congelaram no tempo e parecem não apreciar os valores da liberdade. O resultado é que temos uma cidade desenvolvendo-se rapidamente em várias direções, mas o comércio da área central continua estagnado em um horário inflexível e anacrônico. Um horário de cidade pequena. Um horário de cidade que pensa pequeno. Londrina não merece isso!
A restrição ao livre funcionamento do comércio prejudica os consumidores, complica a mobilidade urbana (por aumentar os congestionamentos nos horários de pico) e reduz a segurança na área central (por transformá-la em um deserto urbano a partir das 19 horas). Como se não bastasse, o horário inflexível impede a criação de novos postos de trabalho e o pagamento de horas extras aos funcionários já existentes. É uma afronta à livre iniciativa estabelecida pela Constituição.
Em 2013, a luta pela liberdade de trabalhar completará 60 anos. Isso mesmo: há seis décadas a Acil luta pela flexibilização do horário do comércio na cidade. Várias conquistas já foram feitas. Hoje, os shoppings e o comércio nos bairros funcionam em horários mais compatíveis com a realidade da população. Mas não podemos deixar que as forças do corporativismo sindical continuem mantendo essa ilha de atraso no coração da cidade. Liberdade já! - é o que Londrina exige.
Trabalhar em diferentes horários é uma das características da sociedade civilizada. Jornalistas, médicos, policiais, bombeiros, motoristas, garçons, cozinheiros, eletricitários, guardas municipais, esportistas, enfermeiros, taxistas, padres, pastores, salva-vidas, porteiros, seguranças, atores, músicos, locutores, fotógrafos, padeiros, manobristas, promotores de eventos, operários industriais, pilotos de avião, comissários de bordo, jornaleiros, funcionários de conveniências, frentistas, comerciários dos shoppings, comerciários dos bairros - o que seria da sociedade se essas categorias resolvessem parar de trabalhar nos finais de semana ou depois das 19 horas? A ninguém ocorre dizer que eles são escravos. Muito ao contrário, todos têm algo em comum: a liberdade!
Os comerciários do centro da cidade devem ter seus direitos trabalhistas respeitados. Devem também ter a chance de vender mais e ganhar mais para o sustento de suas famílias. E o único caminho para isso é aquele que foi percorrido por nossos pioneiros: o caminho do trabalho. O caminho da liberdade. O caminho do desenvolvimento.
Não podemos continuar escravos de um horário que prejudica toda a sociedade: os comerciantes, os comerciários e a esmagadora maioria da população. Londrina não quer mais ser obrigada a fechar as portas para seu povo. É tempo de mudar para melhor. É tempo de liberdade e trabalho.

LÁVIO MONTENEGRO BALAN é presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil)

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