ESPAÇO ABERTO
Quem virá para o jantar?
Um grupo de bons sujeitos americanos desenvolveu um projeto com o objetivo de resgatar a antiga tradição de as famílias se reunirem em torno da mesa para o jantar. Não é um projeto fundado em mero saudosismo ou conservadorismo, mas que se baseia em conclusões de pesquisadores da Universidade de Harvard, de que esse velho costume pode ser muito mais saudável do que se imagina e promover a autoestima de crianças e adolescentes, reduzir os conflitos, combater a depressão, melhorar a inteligência e prevenir o uso de drogas.
A proposta do ''The Family Dinner Project'' é promover a qualidade das relações familiares sem as distrações do mundo moderno - celular, i-pad, tablet, televisão, games ou qualquer outra parafernália a que estamos muito apegados - enfim, um momento íntimo para se sentar em torno da mesa, comer e conversar. É claro que um prato especial pode ajudar, mas o mais importante é o convívio, o bate-papo descontraído, sem o estresse do dia a dia, sem as pressões e as cobranças do sistema.
Não tenho dúvida que esse encontro pode sim ser curativo e preventivo de tantos males. Afinal, há muito sabemos que a origem do menor infrator é a desestruturação familiar e que a família desestruturada é o reflexo da desestrutura da sociedade, composta pelos sujeitos sociais desestruturados. A predominância de pessoas com baixa capacidade empática, pouca tolerância à frustração, gananciosas, arrogantes e individualistas é cada vez mais patente. Essa dinâmica reforça o modelo social em que estamos inseridos, mantendo-nos encerrados numa ciranda neurotizante.
Lamentamos apenas que esse projeto não possa atender a milhares de crianças e adolescentes brasileiros que apenas indagarão: família, mesa, comida?! Para quem?
JAIR QUEIROZ é psicólogo clínico e pós-graduado em Segurança Pública em Londrina
Das virtudes do servir
Uma escola de Bandeirantes solicita que eu fale da ''paz no servir'', para auxiliar alunos na redação de um trabalho da classe. Pois bem, se servimos, desenvolvemos a compaixão, que significa nos compadecermos das dores alheias e compreendê-las como se fossem nossas. O compadecimento é também uma forma de servir, porque os que sofrem captam esse sentimento e se consolam. Há ocasiões em que uma palavra amiga vale mais que uma oferenda. O sentido mais virtuoso do servir é dar socorro aos que necessitam, seja em forma de valores materiais, palavras ou gestos. O servir pode se manifestar também pelo silêncio, quando não levamos adiante a propagação de uma maledicência. Assim contribuímos na semeadura da paz.
''O que for maior dentre vós deve ser o servidor'', nos ensinou Jesus. Quanto mais bens e conhecimentos possuirmos, maior será nossa obrigação de compartilhá-los. Mas devemos fazê-lo sem ostentação. Quando servimos a um dos nossos semelhantes estamos servindo a Deus, pois também Ele necessita de nós para realizar sua obra. O serviço prestado é mais digno quando não visa recompensa, nem em forma de agradecimento.
Agradecer é dever de quem recebe, mas não deve ser um anseio de quem dá. Um ato de doação precisa ser incondicional e não propagandeado. Se há um propósito de servir, melhor que ocorra em silêncio.
É preciso servir com satisfação e não com arrogância, e sem humilhar aquele a quem ajudamos. Não precisamos ficar dizendo que beneficiamos alguém, pois com essa atitude visamos o aplauso. E se servimos com cobranças (quando não se tratar de um empréstimo convencionado), então não semeamos paz mas inquietação sobre quem seja colocado na condição de devedor. O ato de servir deve estar revestido de amor, que é aquele sentimento que brota espontaneamente do coração.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





