Semana da família
A família merece nossa atenção, cuidado, admiração. Recentemente aconteceu o Encontro Mundial das Famílias em Milão onde foi estudado o tema: ''Família, trabalho e festa''. Queremos ser amigos da família. A pastoral familiar tem procurado aliança com os movimentos de casais em segunda união, prepara pessoas para o atendimento de casais (plantão familiar).
Ninguém nasce sabendo ser pai e mãe. É um aprendizado para toda a vida. A rocha de uma casa, de uma família é constituída de cinco pilares: a ética que consiste na transmissão de valores e da fé; a disciplina que corrige erros, educa o caráter, forma a personalidade, prepara para a responsabilidade; a humildade que é a necessidade do outro, do diálogo, da comunicação, da entreajuda; a honestidade sem a qual não é possível a convivência humana e enfim a gratidão, ou seja, reconhecer o bem que a família nos oferece.
O grande educador Içami Tiba aconselha que na família devemos fazer tudo da melhor maneira possível, não pensar mal de ninguém e pensar bem antes de falar, dar o melhor de si, agir da melhor forma possível e oferecer o máximo de desempenho em favor da família. Por isso, não devemos nos acomodar à ignorância e ao sofrimento, não desmotivar-nos diante dos obstáculos, não resignar-se frente aos fracassos. É necessário acreditar nas possibilidades de solução, enfrentar a desonestidade e corrigi-la, superar os abusos de poder e os abusos da permissividade, deixar-se tocar frente a exclusões e pobreza, reagir diante das injustiças, abdicar do egoísmo.
A família é a única organização que vingou até hoje. Ela passa por crises, mas é indestrutível. Precisamos criar a ''Associação das Famílias'' como reforço aos valores da família. São os laços familiares que perpetuam o ser humano e não dão sobrevivência digna. O instinto familiar é ancestral, tanto quanto o homem.
Já alcançamos conquistas, vitórias, sucessos da família, a saber: correção dos erros, assimilação de mudanças, espírito de equipe, consciência dos limites e do valor da disciplina, aprender com os erros, melhorar o bairro e o planeta para melhorar a família, desejo e esperança de acertar e de vencer.
Agora precisamos abrir o coração para não fechar a transmissão da vida. O Brasil está envelhecendo rapidamente. Isso será um grave problema pelo qual passa a Europa. Por outro lado, países populosos conseguem superar a fome, a miséria, a pobreza. Tudo depende do tipo de desenvolvimento que é oferecido ao povo. Outro cuidado é com os problemas do filho único. Já existem escolas de psicologia especializadas para resolver os grandes sofrimentos e consequências do filho único. Em nossos dias o pai vira a ''rainha do lar'' e a mãe a ''provedora da família'', especialmente nos casos de separação.
É preciso crer e investir na família a qual sempre venceu a permissividade e consolidou o agrupamento, a comunidade. Ela é o alicerce que favorece a realização pessoal, social, profissional. Quando há espírito de família não se delega a educação dos filhos, a mãe não é funcionária do pai, o filhão não é o que dita as regras. O grande remédio está na comunicação no relacionamento, na convivência. Com saúde relacional vai dar certo. Onde há espírito de equipe cada um tem sua função, sua atuação, sua cooperação, sua participação. Mas, toda equipe precisa do líder, assim, a família precisa do casal que tenha clareza e visão de metas, senso de direção, capacidade de administrar conflitos, sabedoria em valorizar os filhos e encorajá-los, sabendo que sem disciplina não há vitória.
A família é o mais precioso capital humano. Nenhuma empresa está acima dela, nem os governos. Ela vem antes nasceu como primeira instituição social. Cabe aos governantes protegê-la. Quatro abraços unem e salvam a família: o diálogo, o perdão, a ternura e a oração são frutos do amor.

DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina

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