ESPAÇO ABERTO
Jabaculê digital
Aproximam-se as eleições e com ela a probabilidade da juventude brasileira fazer muita diferença como o poder do voto. As redes sociais hoje sintonizam as pessoas instantaneamente com o mundo e no campo da informação parece que vale mais quem chegar primeiro. Por isso, há tendências entre as pessoas mais jovens em aceitar a mídia eletrônica como sendo a verdade absoluta. Isso é um perigo, pois algumas redes são mantidas e divulgadas à custa de recursos financeiros de candidatos bem abastados. No campo profissional, o eixo norteador da informação está na ética apartidária do jornalista, pois o facebook, twitter, blogs e outras ferramentas nem sempre são fidedignas na boa, honesta e imparcial mídia.
Em outros tempos tínhamos duas expressões chulas muito utilizadas para aqueles que ''vendiam'' as notícias ou evidenciavam pessoas: jabaculê ou capilé. Ambas foram barganhas jornalísticas de enriquecimento ilícito e projeção eleitoral de certas pessoas, que emergiram para popularidade muito rapidamente, mas sem o DNA da verdade.
Quem não se lembra de programas policiais na televisão ou no rádio onde o locutor, no horário do almoço, com eloquência e indignação, anunciava que no próximo programa traria uma reportagem bombástica, envolvendo uma contravenção do filho de um importante figurão da cidade. No outro dia essa notícia tão esperada era reposta por outra de impacto e comoção social mais impactante. Com isso perdia-se o foco e caía-se no esquecimento. Contudo, nos bastidores muita gente sabia que, de tarde ou de noite, correu um ''jabazinho'' para que a notícia não fosse veiculada. Era a chantagem silenciosa.
Na época o modismo era fotografar, já que não tínhamos câmeras filmadoras como nos dias atuais. Algumas fotos, para não cair na boca do povo, valeram muito dinheiro.
Hoje, na virtualidade artificial da internet é preciso zelo, pois ainda existem alguns internautas que vivem imaculando candidatos, maquilando a moral para que o eleitor visualize a pessoa e reforce na mente aquela opção de escolha. Cuidado. Muito cuidado.
A propaganda às vezes vem recheada de informações que ao vento se perdem. Por isso, quando o público alvo não conhece as raízes da estratégia das evidências é um risco eleitoral elegermos outros ''tiriricas'' da vida. É preciso triagem, estudos informativos e esclarecimentos para não se deixar levar pelas ondas do modismo, muitas vezes tendenciando as redes sociais. Candidato não é mercadoria.
O voto é ainda a forma mais segura de melhorar o país. Mas precisa ser consciente e não influenciado por ''profissionais digitais''.
As conhecidas gerações Y e agora geração Z, por sua vez, alvos principais dos marqueteiros digitais, formulam as decisões de modo muito fugaz, imediatista, acessando a rede e ''comprando'' a informação para a candidatura da simpatia. Para nutrir essa vulnerabilidade juvenil, há muita gente mandando mensagens, adicionando ''amigos'' e divulgando o irreal e o impossível.
Factóides se tornam verdades e as mentiras absolutas encontram eco disseminando-se de modo tsunâmico. Isso também é uma forma de jabaculê na era digital.
Aos jovens, muito cuidado. Analisem antes de declararem o amor a quem quer que seja. Façam-se as seguintes perguntas: minha escolha será boa para o país, estado e município? Será que em tanta mídia não há um aliciamento digital de forma introspectiva, cujo beneficiado nunca será você, leitor e eleitor?
WILMAR MARÇAL é professor universitário e membro titular da Academia Londrinense de Letras, Ciências e Artes





