Heróis
Atualmente, heróis são aqueles personagens que se destacam por suas atuações nas novelas, na música e no futebol. Grande parte do povo os admira e venera. Recentemente, um jovem cantor foi homenageado como herói pelos vereadores de Londrina. Esses modernos heróis são mais lembrados que grandes avatares como Buda, Abrahão, Jesus e outros que podem ser imitados, mas nunca igualados. Inviável é exaltar as qualidades destes iluminados num simples artigo de jornal. São divinos e isto diz tudo.
Entretanto, há pessoas notáveis que são verdadeiros heróis, embora sem aquela condição divinal. Gente comum do povo, homens que servem de modelo e passíveis de serem não só imitados, mas também igualados. Homens que renunciaram aos seus interesses pessoais - às vezes sacrificando a própria família -, objetivando um norte, lutando contra muitos obstáculos, mas firmes em direção à meta desejada. Seus alvos são os mais variados e dependentes da vocação pessoal de cada um. Criam hospitais e escolas, treinam crianças nos esportes e na música, distribuem alimentos e lutam pela liberdade.
Martin Luther King e Mohandas Ghandi, lutaram pela igualdade civil e social. O atual Dalai Lama, Lutero e João Paulo 2º sempre visaram a liberdade espiritual numa pregação amorosa e consoladora. Chico Xavier e Albert Schweitzer praticavam a caridade sem fazer distinção de raça ou religião. E o doutor Albert Sabin, criador da vacina antipólio, renunciou aos direitos de patente beneficiando todas as crianças.
Tais personalidades são apenas alguns dos verdadeiros heróis da humanidade, iluminados que embora sua injunção na carne deixaram rastros de sabedoria e vontade. São diferentes dos heróis atuais, mercê de seus exemplos de vida na construção de um mundo melhor. Autênticos heróis são um tipo de gente que não se aposenta, realizam grandes feitos, espalham o bem e a esperança, e nunca caem no ostracismo. São permanentemente lembrados. E o mais importante: suas obras permanecem para sempre.
SANTO CREMASCO é advogado em Londrina



O ridículo em vez de pesquisa séria
Com a série ''Fantasmagorias'' o ''Fantástico'' da TV Globo demonstra o visível propósito de ridicularizar uma questão que deveria merecer estudo mais aprofundado e não superficial, como se viu no último domingo. Não se discute sua posição contrária aos fenômenos considerados sobrenaturais, mas uma instituição da envergadura da Globo precisava - se é que decidiu entrar nesse campo - tratar essas questões transcendentes com mais seriedade. Porém, desejou dar a tintura do ridículo, como ficou implícito, quando poderia também ouvir pessoas sérias que dominam assuntos dessa natureza.
Os casos de aparições existem e se somam aos milhares. Apenas ouvir oculistas para definir tais casos como ilusões de ótica é insuficiente, pois não se pode confundir lampejos e distorções de visão, eventualmente motivados por alucinações, com fatos reais nesse campo da vidência. A poderosa emissora tem duas posições sobre as questões do extrafísico: permite aos novelistas incursionarem por essa seara, mas seus jornalistas formam outra corrente. Quando mostram uma reportagem do gênero, no mesmo contexto concluem com bizarros depoimentos e ''comprovações'' em contrário, detonando os episódios narrados.
Muitos, quando não sabem explicar certos fenômenos, os atribuem a um mistério que desconhecem. Já outros, que também não sabem mas se arvoram em conhecedores, melhor seria se ficassem calados. O ''Fantástico'' não precisa afirmar que fantasmas existem, mas deve atentar para o alcance de certas formulações empíricas que difunde. O cenário do experimentalismo teatral de domingo foi o Castelo Eldorado, aqui em Marilândia do Sul, tido por alguns como mal assombrado. É bom saber que o ambiente que nos rodeia é povoado de coirmãos nossos que transcenderam a vida física, mas não se elevaram. Eles geralmente se alojam em lugares que habitaram e com os quais ainda estão apegados. Muitas pessoas os veem, e não é ilusão de ótica.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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