O entendimento e o tempo
Quando deparamo-nos com problemas temos a oportunidade de resolvê-tos. Alguns podem ser resolvidos facilmente, outros nem tanto. Porém, para resolver um problema é necessário ter atitudes e ações constantes até a sua resolução. É possível que após se resolver um problema as pessoas passem a ter atitudes diferentes das que tinham anteriormente. É comum isso acontecer quando adoecemos. E é gratificante quando não se volta cometer velhos hábitos prejudiciais.
No decorrer da Colonização do Brasil e durante seu desenvolvimento até hoje muitas ações foram realizadas corretamente e outras não. As consequências de atitudes erradas custam a passar. Um exemplo noticiado na revista Veja: Na China foi ordenada pelo governo num determinado período a matança de pardais que eram vistos como peste capaz de comer alimentos no campo. Alimentos que poderiam saciar a fome de muitas pessoas. O que eles não atentaram é que os pardais também comiam insetos. Houve, então, um desequilíbrio ecológico naquele período de tempo numa certa região que culminou em colheitas menores que as anteriores à matança dos pardais.
Atualmente, a China investe alto em projetos de infraestrutura até mesmo fora de sua nação. É o caso da ferrovia que ligará Cuiabá a Santarém margeando a BR-163. São bilhões de dólares investidos para facilitar o escoamento de safras agrícolas e outros produtos. Em troca o governo chinês impõe a compra futura pelo Brasil de produtos chineses, além do pagamento do financiamento.
Então, para se resolver um problema público é necessário primordialmente diagnosticar corretamente suas causas e traçar metas de curto e longo prazos para sanar a questão.
Atualmente, em meio à crise financeira que atravessa o mundo alguns países trabalham incansavelmente para que no futuro seus problemas não sejam ainda maiores. A própria presidente Dilma Rousseff declarou - durante a divulgação de algumas das medidas de curto prazo tomadas corretamente na tentativa de minimizar os efeitos da crise mundial no Brasil - que não podemos ficar soberbos perto do abismo.
Pensar e agir corretamente para o longo prazo, no Brasil, exige um esforço estratégico estruturado entre vários setores para que se possam colher bons resultados.
Algumas ações tidas como corretas hoje no atual estágio de desenvolvimento do Brasil podem não sê-las com vistas ao amanhã. É necessário que a sociedade brasileira pese suas possíveis consequências futuras. Ou seja, que as políticas internacionais de longo prazo do Brasil com seus parceiros comerciais contemplem a resolução das necessidades da sociedade brasileira de hoje e amanhã. E os países que tenham o Brasil como parceiros comerciais estratégicos estejam cientes que resolver seus problemas não deve ser somente à custa da exploração a qualquer preço, mesmo que a longo prazo dos recursos disponíveis no Brasil, como acontece até hoje.
A Argentina mostrou faz pouco tempo um exemplo de ação de governo necessária para conter o ritmo exploratório imposto por outros países. Embora lenha sido uma atitude autoritária e tomada abruptamente deu mostras da soberania daquele país. Politicamente tal decisão traz suas consequências. Boas ou não.
Historicamente, no Brasil, já aconteceram fatos semelhantes e que trazem invariavelmente consequências para a economia. Podem ser citados como exemplos as medidas tomadas que atingiram diretamente a administração das empresas no tempo do Plano Cruzado. E o que nenhum empresário deseja é a tomada de medidas repentinas que machuquem seus negócios ou que os inviabilizem.
Não é, pois, uma questão de alarmismo mas antes de mais nada que os governos, transitórios no tempo, sejam conscientes de não causarem sequelas permanentes às relações internacionais de comércio e a seus próprios países.

MAURICIO KALAU GONZALES é administrador de empresas e professor em Londrina

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