A polis greca
O Brasil está a poucos meses de mais uma eleição. Distribuídos em mais de 5,5 mil cidades, 138 milhões de eleitores irão às urnas em outubro depositar, por meio do voto, sua preferência e confiança nos candidatos a prefeito e vereadores. Diferente do que vemos no pleito nacional e estadual, a eleição municipal é destituída de um peso ideológico forte pela natureza das questões preocupantes para o habitante daquela cidade e do campo pessoal estar mais presente. Retrato dessa distinção entre eleição municipal e estadual/nacional são as coligações partidárias concretizadas, sendo muitas vezes inimagináveis no cenário nacional. Nessa esfera os eleitores estão muito mais próximos ao político e ''sua'' rua é palco fundamental para os questionamentos e as discussões que conduzirão seu voto.
A preocupação envolve essencialmente o cotidiano dos munícipes como o lixo que não é recolhido no seu portão, o ônibus que sempre atrasa, a rua que é mal iluminada, o posto de saúde que falta remédio ou o mau atendimento no hospital, etc. Também existe o ponto familiar, da amizade e do trabalho que não podemos deixar de levar em consideração, uma vez que muitos irão votar ou deixar de votar em alguém em função dessa natureza, independente dos argumentos.
Assim, mesmo que haja fatos suspeitos e investigados por instituições como o Ministério Público ou tenham sido divulgados de forma negativa pela imprensa eles pouco pesarão na hora do voto dessas pessoas. A utilização desse critério particular abre o debate para pensarmos se realmente escolhemos o melhor para a cidade e para o coletivo. O momento do voto pode até ser o auge da democracia, mas não é o único e muito menos o último dentro do processo civilizatório. O cidadão atuante e ciente do seu papel sabe que a cobrança deve ser diária junto à administração dos recursos públicos. Por isso, a eleição municipal é a mais viável para o cumprimento da cidadania, pois o vereador ou prefeito podem ser seu vizinho e você tem muito mais chance de cobrá-lo.
VIVASVAN CAMPOS E PRADO é estudande de História na Universidade Federal do Paraná em Curitiba



Os maus sentimentos e palavras
Somos responsáveis por aquilo de nocivo que implantamos na mente dos outros, e isso entra na conta dos nossos débitos. Uma crítica maldosa ou mesmo branda que fazemos contra alguém, e comentários sobre fatos que denigram pessoas, resultam em efeito multiplicador, e somos responsabilizados por isso perante a Lei Maior. Temos de responder pelas maldições e condenações que emanam de nossos pensamentos e palavras, valendo inclusive para um mero olhar de sarcasmo ou menosprezo por alguém.
Quando cultivamos sentimentos de ódio e inveja emitimos vibrações doentias, que atingem a pessoa alvo e também se volta contra nós, como um bumerangue. É a lei da causa e consequência. Ademais, essa corrente dissemina-se, sem medir distâncias, incorporando-se ao inconsciente coletivo e envolvendo todos aqueles que estão mais fragilizados ou que nutrem sentimentos idênticos. Todos nós, em maior ou menor grau, descuidamos de nos policiar e por isso ficamos vulneráveis, sem mesmo perceber. Os resultados são angústias, depressões, desequílíbrios, abalos da saúde, mau humor, irritação, intolerância e assim por diante.
E, como duplo resultado negativo, quanto mais nos ocupamos de pensar e falar dos males, mais os robustecemos. Mesmo quem apenas ouve pode ficar contaminado. Pessoas idosas, sobretudo, apreciam falar de doenças. Temos de respeitar seus sofrimentos, mas muitas o fazem por autopiedade. O que emanamos tem o poder de criação e se corporifica, e se pensamos o mal, ele pode nos acontecer. Os que só acreditam no que está na Bíblia podem ler em Jó: ''Aquilo que temo me sobrevém e o que receio me acontece''. Tudo o que de desagradável nos ocorre é resultante de algo que temos praticado, seja por pensamentos, palavras ou atitudes.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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