ESPAÇO ABERTO
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quinta-feira, 12 de julho de 2012
Beto Richa 
As previsões sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional para 2012 vêm registrando quedas sequenciais. As expectativas do ministro da Fazenda, Guido Mantega, começaram com um PIB de 4,5%, no início do ano, passaram para 3,5%, em maio, chegaram a 2,5% em junho, a 2,05%, segundo o último Relatório Focus.
Previsões de instituições bancárias não descartam um crescimento ainda menor, na casa de 1,5%. Ao PIB diminuto soma-se uma inflação que resiste em patamares elevados.
Por trás desse desempenho encontra-se uma conjunção de fatores. Entre eles, uma situação internacional adversa, com a crise europeia que se arrasta; a retração na atividade econômica na China, que extrapola as previsões mais pessimistas e até mesmo a contaminação da atividade econômica por circunstâncias políticas.
Nesse caso, vale destacar instituição de uma exótica CPI que acabou por colocar debaixo de pesada suspeição a principal empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Com isso, o próprio PAC, que deveria ser um dos motores da economia nacional, acabou ficando sob holofotes políticos com desdobramentos imprevisíveis.
O governo Lula surfou um período inédito de bonança econômica mundial. Período que foi extremamente benéfico para o Brasil até por encontrar aqui uma economia saudável - inflação domada e sistema bancário saneado - obra dos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.
Os sinais sugerem que o governo Dilma Rousseff não terá o benefício de uma conjuntura tão favorável. Novos problemas demandam soluções novas. A produção algo frenética de pacotes com estímulos econômicos, adotada pelo ministro Guido Mantega, é uma estratégia de risco. Mal calibrada pode servir de combustível para a inflação e para aumentar o endividamento dos brasileiros.
O nível de endividamento da população brasileira - comprometimento da renda familiar com o pagamento de juros e amortizações de empréstimos - saltou de 19,8% para 22,3% entre dezembro de 2010 e abril de 2012, de acordo com o Banco Central (BC).
O Paraná não pretende ensinar nada a ninguém. Achamos, no entanto, que podemos contribuir colocando em discussão algumas políticas bem-sucedidas que adotamos.
Quando assumimos o governo do Estado, em 2011, encontramos a atividade econômica em refluxo por conta de má gerência e hostilidade bolivariana ao capital estrangeiro e ao próprio conceito do lucro. Revertemos esse processo e passamos a buscar investidores que eram escorraçados do Paraná em nome da ideologia e da idiossincrasia.
Programas de estímulo ao investimento trouxeram ao Estado mais de R$ 16,5 bilhões, com a geração de 70 mil empregos diretos e indiretos no Estado. A implementação desses empreendimentos colocou o Paraná - apesar de sofrer também o impacto do desaquecimento da atividade econômica - na contramão dos indicadores negativos na produção industrial brasileiras dos últimos meses.
O Brasil, até abril, reclamava em fóruns mundiais contra o ''tsunami de dólares''. Agora temos o Banco Central atuando diariamente para evitar a queda das cotações do real. É possível que tudo isso seja um sinal de que toda a nossa política econômica precise de uma reavaliação e, ao que tudo indica, de uma correção de rota.
BETO RICHA é governador do Paraná
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