Um (bom) administrador na Prefeitura
  Desde 1988, quando o engenheiro Wilson Moreira terminou a sua gestão como prefeito, Londrina vem experimentando toda a sorte de infortúnios políticos e administrativos. Ele encerrou um ciclo de bons prefeitos que dirigiram a cidade. Nesses últimos 24 anos o que vimos na administração municipal foi uma alternância de incompetência e corrupção e, às vezes, ambos os vícios administrativos juntos na mesma gestão. Concomitantemente, a cidade viu a sua representatividade política se reduzir drasticamente, tanto quantitativa como qualitativamente, na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional.
  Consequentemente, perdeu muito dinheiro em investimentos governamentais, mesmo contando por oito anos com um prefeito do mesmo partido do presidente da República e, ainda, tendo três ministros de Estado originários politicamente da cidade atuando nesse governo, mas que nenhum recurso expressivo trouxeram para Londrina. Perdemos também com a dilapidação do patrimônio público: o dinheiro da venda de 45% da nossa telefônica municipal ‘‘virou pó’’, além de muitos outros significativos desvios de recursos públicos.
  Nesse período de trevas para a política londrinense o nome da cidade foi maculado nacionalmente pelas manchetes desabonadoras na mídia, em função dos graves desmandos administrativos, corrupção, prisão de agentes políticos e a cassação de um prefeito. Perdemos a condição de terceira maior cidade da Região Sul e, no âmbito estadual, observamos a economia de Maringá e Cascavel crescer num ritmo mais acelerado que o nosso, Ponta Grossa se industrializar cada vez mais, além de assistir Curitiba se preparando para implantar o metrô, enquanto por aqui não conseguimos nem tapar os buracos das ruas.
  Avizinha-se mais um pleito eleitoral e teremos a oportunidade de escolher um capacitado administrador para o município. Que bom seria se as forças políticas e as lideranças da sociedade organizada pudessem trabalhar em consenso e concentrar os esforços em um nome que nos representasse bem, um grande administrador já experiente e tarimbado, daqueles que são referência de probidade em seus negócios e bem-sucedido em sua vida pessoal e profissional. Que não fosse um político de carreira e nem um aventureiro que está de olho no dinheiro público para seu próprio proveito, que considerasse o seu mandato uma missão, uma doação do seu tempo como contribuição para a nobre causa de servir a população.
  Existem pessoas com esse perfil em nossa cidade, porém não querem se envolver em razão do atual estágio das conveniências e dos interesses escusos da política. Portanto, essa proposta é quase uma utopia.
  As convenções partidárias se encerraram e os resultados apontam que seis candidatos desejam ser prefeito de Londrina: noviços que apenas querem colocar seu nome na vitrina e manter o partido em evidência; outros que já tiveram a oportunidade de realizar muito e nada fizeram pelo município e até quem está atolado em denúncias de corrupção. E tem também quem leva sobrenome capaz de provocar, em grande intensidade, tanto euforia como rejeição no eleitorado, mas que em respeito a sua indivualidade, não pode ter as coisas misturadas.
  Do outro lado está o eleitor londrinense que precisa melhorar a qualidade do seu voto. Deve conscientizar-se que obras e outras realizações são obrigações dos governantes; eles não estão fazendo nenhum favor, nós pagamos por isso. E quando fazem propaganda dos seus feitos é o nosso dinheiro que está sendo gasto indevidamente. O eleitor não pode vender seu voto e nem trocá-lo por favores pessoais. Também não deve se sensibilizar por aqueles que, hipocritamente, apelam para a fé e religiosidade das pessoas.
  Por fim é preciso que a Câmara vote um aumento substancial de salário para o próximo prefeito, pois não é justo que o chefe do Executivo de uma cidade com o porte de Londrina receba tão pouco. Nenhum empresário da iniciativa privada daria a direção de sua empresa, com um orçamento anual de R$ 1,1 bilhão, como é o caso do nosso município, para um executivo que ganhasse apenas R$ 13,8 mil mensais.

LUDINEI PICELLI é administrador de empresas em Londrina

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