Se os irmãos estivessem vivos
A história de Londrina é uma história de empreendedores. A cidade nasceu da ousadia e da coragem de empresários que vieram de diversas partes do mundo. Um dos nossos maiores heróis é David Dequêch, que saiu das montanhas do Líbano para fundar a Acil em 1937.
Na galeria dos heróis londrinenses, também ocupam lugar de destaque os irmãos fazendeiros que preservaram a nossa mais importante reserva florestal. Os corajosos irmãos da mata foram ambientalistas muito antes que a palavra entrasse na moda. Além de defender a natureza, eles também eram grandes produtores; participaram do ciclo econômico que transformou Londrina em capital mundial do café; deram suor e sangue para plantar o Ouro Verde. Na visão desses pioneiros, desenvolvimento e meio ambiente podiam caminhar juntos - como irmãos.
É assim que nós, defensores do projeto Arco Norte, enxergamos o futuro de nossa região. Planejamos um futuro em que a prosperidade e a natureza tenham lugar na vida de toda a população. Defendemos um novo ciclo histórico para o Norte do Paraná - e, desta vez, com desenvolvimento plenamente sustentável.
Se os irmãos pioneiros estivessem vivos, ficariam muito felizes em saber que a Mata dos Godoy não apenas será preservada, como se tornará cinco vezes maior, com o plantio de 3.200 hectares de mata nos arredores do atual parque ecológico.
Os irmãos pioneiros não eram inimigos do desenvolvimento. Eram pessoas bem-informadas, que jamais criticariam um projeto sem conhecê-lo. Se estivessem vivos, saberiam que o aeroporto cidade, vetor do desenvolvimento regional, ficará a 600 metros de distância no ponto mais próximo da Mata dos Godoy, estando fora da zona de ruído que poderia afetar as espécies lá existentes.
Se os irmãos estivessem vivos, saberiam que o entorno do aeroporto cidade seria composto de empresas de base tecnológica, onde a produção de conhecimento e soluções inteligentes passa longe de qualquer atividade poluidora dos mananciais - a não ser que boas ideias sejam consideradas perigosos poluentes.
Se os irmãos estivessem vivos, saberiam que o Arco Norte prevê uma integração rodoferroviária de toda a região, com estradas de 60 metros de largura e detalhados cuidados ambientais. Seria o fim dos gargalos no transporte urbano e regional - até porque haveria a atração de investimentos internacionais na infraestrutura.
Se os irmãos estivessem vivos, saberiam que todas as bacias hidrográficas da região serão interligadas por um corredor verde entre os fundos de vale dos municípios. Com entusiasmo, eles conheceriam o sistema especial de transporte de resíduos por meio de contêineres e via férrea. Ficariam contentes por habitar uma autêntica ecometrópole - a primeira do mundo.
Se os irmãos estivessem vivos, lutariam para preservar a mata, mas nunca lhes passaria pela cabeça barrar o desenvolvimento de toda a região. Não sairiam dizendo por aí, aos quatro ventos e em artigos de jornal, que a Companhia de Terras estava ''mascateando'' lotes ou traçando um ''desenho simplório'' e ''primitivo'' do Norte do Paraná.
Se os irmãos estivessem vivos, defenderiam a união da comunidade em torno do projeto Arco Norte, porque eram gente do meio-dia, e não militantes da meia-noite.
Ainda bem que não havia tanto radicalismo nos tempos pioneiros. Do contrário, correríamos o risco de Londrina simplesmente não existir. Não haveria nada: nem o jornal que você está lendo, nem o prédio em que você mora, nem a empresa em que você trabalha, nem a rua em que você anda. Se eles hoje não querem ouvir falar em tecnologia e conhecimento, imagine o que não diriam... do café!
Não podemos perder o avião da história. Chegou a hora de seguir o verdadeiro exemplo de nossos irmãos pioneiros. O Arco Norte é um projeto de desenvolvimento econômico, social e ambiental. Um projeto sustentável. E o radicalismo não se sustenta.

FLAVIO MONTENEGRO BALAN é presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil)

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