ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de junho de 2012
Denilson Vieira Novaes 
Sustentabilidade é a palavra do momento. Resumindo, é a habilidade ou a característica de ser sustentável. É a capacidade de se manter, de se sustentar. A nossa sociedade, de modo geral, sonha hoje com o desenvolvimento sustentável, ou seja, com o desenvolvimento que não seja efêmero, parcial ou momentâneo, mas que seja duradouro, justo, equilibrado e consistente.
O conceito de desenvolvimento sustentável, que teve início na década de 50, nasceu da percepção de que os recursos naturais são limitados e que só temos este planeta para habitar. Baseia-se em três eixos principais, o desenvolvimento econômico, que busca gerar mais riqueza e mais oportunidades, o desenvolvimento social, que busca a justiça e a inclusão social e a proteção ao meio ambiente, que tenta garantir os recursos naturais e o controle sobre a poluição ambiental.
Isso quer dizer que todos esses fatores deveriam ser analisados antes de se definir uma política pública ou grandes investimentos públicos ou mesmo privados.
O mundo hoje está chegando a 7 bilhões de pessoas. Estas pessoas querem comer, se vestir, ter acesso a remédios, querem educação e diversão. Somente a classe média chinesa, que tem capacidade de consumo, é maior do que toda a população brasileira. Como obter recursos para toda essa nova geração de consumidores? Não podemos mais nos dar ao luxo de simplesmente extrair de qualquer modo os recursos naturais como fizemos até agora, derrubando florestas, acabando com a fauna e explorando minérios de qualquer modo.
O tal do progresso e o aumento no consumo já fizeram um estrago considerável em nosso planeta, com a extinção de algumas espécies, com a devastação de grandes áreas verdes, mudanças climáticas e com a poluição do meio ambiente.
Falar em sustentabilidade é fácil e muito bonito, mas transformar o discurso do politicamente correto em algo prático é bem diferente.
A China, por exemplo, para gerar empregos e manter sua população de mais de 1,5 bilhão de pessoas, precisa manter um alto crescimento, mas o preço deste crescimento é um país poluído e que explora suas reservas naturais no limite. A criação de gado, que fornece carne para quem pode pagar, exige o uso de grandes áreas, que poderiam ser utilizadas para produzir uma quantidade maior de outros alimentos. O álcool combustível polui menos do que a gasolina, mas o cultivo da cana, em grandes áreas, desestimula a produção de alimentos e reduz o emprego no campo. Embalagens descartáveis são práticas, mas depois de usadas viram montanhas de lixo. Agrotóxicos aumentam a produtividade, porém poluem e causam doenças.
Enfim, todo o conforto e tecnologia da vida moderna têm um custo ambiental ou social, que nem sempre as pessoas estão dispostas a abrir mão. Não é nada fácil resolver essa complicada equação. Elaborar projetos realmente sustentáveis e factíveis é algo complexo e que exige muito planejamento.
O poder público tem um papel fundamental neste novo cenário. Em primeiro lugar servindo como exemplo ao setor privado, e não simplesmente criando e exigindo regras que ele mesmo não consegue cumprir.
A administração pública deveria servir de modelo de sustentabilidade, com o bom uso de todos os seus recursos, inclusive os financeiros, utilizando fontes de energias alternativas, fazendo o correto gerenciamento de seu próprio lixo, incentivando a reciclagem, fazendo o uso racional da água, etc.
A gestão pública também precisa assumir seu papel de protagonista neste novo modelo de desenvolvimento, definindo quais são realmente os projetos e as políticas públicas importantes e estratégicas para a sociedade e como torná-las de fato sustentáveis. Sem a liderança efetiva e legítima do poder público, a tal sustentabilidade vai continuar sendo apenas mais um bonito discurso de palanque.
DENILSON VIEIRA NOVAES é especialista em Gestão Pública e servidor público em Londrina
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