ESPAÇO ABERTO
Votar em quem, eis a questão
Osvaldo Cardoso Ribeiro
Durante ditadura militar a Lei Falcão estabeleceu a existência de apenas duas legendas: Arena (Aliança Renovadora Nacional) e MDB (Movimento Democrático Brasileiro). Enquanto a Arena reunia os políticos favoráveis ao regime militar, o MDB aglutinava a oposição, embora controlada. Que bom que esse sistema bipartidário não existe mais e, desde o início da década de 1980, nosso país voltou ao sistema democrático com a existência de vários partidos políticos. A legislação eleitoral e a Constituição, promulgada em 1988, permitem a existência de várias agremiações políticas no Brasil. Com o fim da ditadura militar (1964-1985), vários partidos foram criados e outros, que estavam na clandestinidade, voltaram a funcionar.
Será que a pluralidade partidária foi boa? Atualmente, temos 29 partidos, (talvez já tenha surgido mais) uma grande parte é nanica, sem expressão política, incapaz de eleger um vereador sequer. Tomara que os partidos majoritários, que contam com a maioria dos eleitores, saibam escolher bem seus candidatos e não pegar a laço os pífios preponentes sem mínimas condições de vitória nas urnas. Li na Folha de Londrina que alguns candidatos lançados pelos grandes partidos que não se elegeriam nem para vereadores e sonham com a Prefeitura. Em todos os recantos do país a coisa está feia politicamente. É hora da união de todos os cidadãos, associações de bairros, igrejas, escolas, empresários, poderes judiciais, num único objetivo de acabar com a corrupção e inércia política. Temos que pôr fim ao adágio popular ''rouba, mas faz''. O gente público deve fazer obras públicas sem roubar.
Seria bom que o Congresso, por meio de leis, desse um basta nessa ''fábrica'' de partidos que nos envergonha: entram na disputa visando cargos sem qualquer idealismo. Logo seremos chamados a votar, estejamos preparados e analisemos bem os candidatos e não sujemos nossos votos com políticos fichas sujas. Só aprimorando a nossa escolha é que poderemos mudar a cara do país.
OSVALDO CARDOSO RIBEIRO é jornalista e sociólogo em Londrina
Sufocando o último respiradouro
Walmor Macarini
Quando o projeto do Arco Norte foi lançado, tive ímpetos de manifestar minha posição contrária, na qualidade de cidadão londrinense e profissional de imprensa que durante 57 anos acompanha o desenvolvimento de Londrina e região. Temi ser tachado de recalcitrante e ''do contra''. Contive-me, mas agora me encorajo ao ler neste Jornal opiniões igualmente contrárias: a do biólogo e professor da Universidade Estadual de Londrina, José Marcelo Torezan, e da geóloga e gerente do Parque Mata dos Godoy, Leliana Casagrande. Ambos ressaltam, com propriedade, a questão ambiental, porque estão ali intactos 700 hectares de floresta nativa. Um berçário sagrado e único. Animais se molestam com ruídos e por isso alguns não se reproduzem.
Mas quero destacar outro ponto fundamental: essa extensão territorial, que vai dos fundos do Shopping Catuaí até o distrito de São Luiz, é o último gargalo existente para edificação de residências de melhor padrão. Sim, deve-se contemplar a construção de moradias populares, mas uma cidade em expansão não pode dispensar a reserva de espaço para residenciais mais sofisticados. Não sejamos populistas exacerbados e sem visão da realidade, presente e futura! Londrina já cumpriu boa parte do seu dever de implantar conjuntos populares, e deve continuar, mas na sequência territorial dos já existentes. A cidade já está quase inteiramente cercada por núcleos desse nível e só sobrou essa zona onde agora se projeta um gigantesco aeroporto de cargas, trazendo em seu bojo o ruído de jatos pesados (jumbos incluídos), grandes armazéns e acessos barulhentos, onde nada mais crescerá ao redor a não ser estruturas do gênero. Não se pode estrangular esse último respiradouro e comprometê-lo dessa forma. É o que sobra, ademais, para grandes espaços verdes urbanizados, parques temáticos, lagos eventuais, área gastronômica e outros equipamentos de lazer coletivo.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina
- Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres (55 linhas) e no mínimo 1.600 caracteres (25 linhas). Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. E-mail: [email protected]





