Cuba, Brasil e similaridades
Tenho viajado a Cuba frequentemente. Sou apaixonado pelo mambo de Cachao, pela música camponesa e bela de Compay, Uchoa, Ferrer, Omara, Gonzalez do piano e pelos estrondosos trompetistas que somente Cuba jamais produziu.
Cuba é gostosa para o turista; para os cubanos ''no mucho''.
Quem defende Cuba lá dentro são os cubanos que eram classe D ou E, e que, com o regime, passaram às classes B ou A culturalmente. Eles moram em casas muito simples, falam bem do castrismo, seus filhos são graduados em universidades e estão empregados.
Os outros estão revoltados, e com motivo: muitos cubanos universitários trabalham no turismo por gorjetas em dólar ou euro, pois, em Cuba, os salários atingem US$ 40 por mês por trabalhador. Um funcionário de um hotel recebe, mensalmente, US$ 40 pelo governo, mas o hotel (geralmente espanhol) paga ao trabalhador cubano pelo menos US$ 800 pelo direito de empregar cubanos. E se isso não é exploração do homem pelo homem, então, o que é?
Mas, espere, e no Brasil? Aqui está tudo dominado. O governo controla tudo. A sonegação de impostos, sejam eles municipais, estaduais ou federais, está com os dias contados. Os governantes controlam e exploram tanto empregados quanto empregadores. Esqueçam a conversa mole de que patrões não pagam impostos: cada empregado custa ao empregador pelo menos 107% a mais que o salário fixo mensal (contando com despesas advocatícias de trabalho).
Pergunto-me: se em Cuba a força bruta é o que mantém a população sob controle, como é no Brasil? Elementar: após os 20 anos dos militares, os governantes cobram pela ''democracia'' em que vivemos. Segundo eles, temos ''liberdade'', então é justo que nossos heróis possam ganhar o que ganham.
Outro ponto interessante: um milhão de aposentados pelo governo recebem, anualmente, R$ 10 bilhões a mais que os outros 30 milhões de aposentados. Não é intrigante?
O primeiro ministro da China, Wen Jiabao, afirma que o Brasil é o país mais corrupto do mundo depois da Nigéria. Detalhe: o nosso país é o único a ter zero político corrupto na cadeia. A Nigéria, pelo menos oficialmente, tem oito políticos presos por corrupção.
A cada dia que passa tenho mais medo do Brasil: um deputado chinês ganha 90% a menos que o brasileiro; R$ 100 bilhões são roubados a cada cinco anos em nossa pátria, (oficialmente) as leis são feitas por Carlinhos Cachoeira, Zé Dirceu, Demóstenes Torres, Valdomiro Diniz e nós obedecemos. Enfim, a democracia chegou a Bangu 2.
Tenho medo da explosão social: dentro de pouquíssimo tempo ninguém mais vai ter tanto medo do governo, pois todos estarão em caixa 1 e não temerão represálias oficiais. É disso que tenho medo, do estouro da boiada. Sugiro, portanto, a fundação calma e pacífica do ''Papajuí'': partido dos pagadores do justo imposto. Haverá muitos adeptos, tenho certeza; é uma questão de curtíssimo prazo. Eu tenho medo, os políticos brasileiros... nem tanto!
O ministro da China diz que povo roubado pelos seus próprios representantes perde a noção do certo, do justo, do moral, do honesto. Eles, políticos, não têm medo. Pudera! Pedro Simon disse à revista Veja que os bons políticos do Brasil já morreram. Pior: os vivos não têm moral para protestar. Vote, portanto, no partido do direito de resposta, antes do caos total.
O Brasil ainda tem jeito: não roubaram o Galeão, ainda.

VIRGÍLIO TOMASETTI JÚNIOR é professor em Londrina

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