ESPAÇO ABERTO
Suicídio global
Sempre houve divulgação de predições sobre o fim do mundo. Elas vêm e vão, caem no esquecimento, e mais tarde outras ressurgem. O mundo, entendido como o planeta, não perecerá. Mas entendido como o gênero humano, a humanidade, possivelmente sim.
Difícil é aceitar que este lindo planeta azul, com seus belos rios, mares, florestas e abundante variedade de vida animal e vegetal venha um dia a soçobrar. Por outro lado, o mesmo não se pode dizer dos humanos, cheios de contradições, inveja e arrogância. As guerras espalham a morte despedaçando vidas sem distinção. Todavia, os organismos nacionais e mundiais só fazem contar o número de vítimas, ao invés de algo positivo para impedi-las.
A sede de poder impulsiona lideranças políticas para conquistar ou manter posições de mando. E para tanto usam do dinheiro que violenta e corrompe. As verbas saem das repartições e bancos públicos destinadas ao povo, mas misteriosamente, como num passe de mágica, desaparecem no meio do caminho. As drogas, com mais frequência o álcool, ceifam vidas juvenis. Doenças desconhecidas, ou com nomes complicados, vão minando as forças corporais e enfraquecendo a vida.
As pessoas parecem anestesiadas, apáticas ante os acontecimentos funestos. Não se vislumbram horizontes animadores. Líderes mundiais agem de improviso no enfrentamento de crises. Também parecem alienados da realidade hostil. Não há coerência em nada. A barbárie que só dominava a periferia das cidades já chegou ao centro. Incertezas e inseguranças são sinais da finitude e desintegração da humanidade.
Exagero? Examinem-se o cenário, os acontecimentos, as atitudes. O homem mata o seu semelhante, destrói o meio ambiente e aniquila a harmonia da natureza. Há um temor e uma insatisfação geral. Exercita-se uma correria louca e desenfreada para um alvo indefinido que seguramente levará a humanidade a um suicídio global.
SANTO CREMASCO é advogado em Londrina
Evoluir para uma visão planetária
Nossa pátria é a Terra, porque a concepção vigorante de povos separados por nações vai dando lugar a uma consciência planetária. Um abalo que acontece no outro extremo do mundo nos toca profundamente, porque - diferente do passado - agora envolve a todos. A aldeia global é uma realidade, não apenas pelo avanço das telecomunicações - que coloca todos os cidadãos do mundo dentro de nossas casas -, mas porque temos responsabilidades comuns, como o cuidado com o planeta, a provisão de alimentos para uma comunidade de 7 bilhões de pessoas e a contribuição que devemos dar para criar uma paz sustentável.
Mas só avanços sociais e tecnológicos não conseguirão dar resposta a todos os anseios humanos. Já está suficientemente provado que apenas o bem-estar material não é uma garantia de felicidade. Temos pensado que educando todo o povo e suprindo-o das necessidades básicas teremos formado um universo de pessoas plenamente felizes, mas apenas excelências materiais não bastam. Será preciso evoluir para o alcance de um maior grau de espiritualidade, e este será o grande desafio com que a humanidade terá de se defrontar. As utopias de um mundo de sonhos (e utopias são realizáveis) não se concretizarão fora da espiritualidade, porque em seu bojo ela traz os atributos da solidariedade, do respeito, da tolerância, da boa vontade e da consciência dos direitos individuais, que são de todos. Alcançada a espiritualidade, tudo o mais virá por natural consequência.
Aos poucos a conscientização de um ideal planetário vai se plasmando, porque voamos pelo espaço dentro de uma mesma nave. Somos, portanto, também cidadãos universais. É tempo de toda a humanidade encarar a vida e todas as coisas sob novo paradigma, que quer dizer um mais expandido ângulo de visão. Precisamos cuidar com mais zelo de nossa morada terrena, que foi confiada a nossa guarda e por isso temos com ela uma grande responsabilidade.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





