ESPAÇO ABERTO
Oração pela unidade
Estamos na ''Semana da Oração'' pela unidade das religiões, especialmente, pelo ecumenismo entre os cristãos. Uma das grandes razões e objetivos do Concílio Vaticano II era exatamente a promoção da unidade dos cristãos. Rezar para que todos sejam um, é mandamento do Senhor, é vontade divina, pois está em questão a credibilidade do evangelho. Com brigas, discórdias, guerras religiosas o mundo se escandaliza e não tem condições de crer em Jesus. A falta de unidade constitui um fracasso para o próprio Senhor. A Palavra de Deus nos convoca a ser ''um só coração, uma só alma'' (At 4, 32).
Como podemos colaborar com a paz do mundo e a unidade dos povos se não nos tratamos como irmãos? Como ser sinal de unidade quando fazemos o contrário? A separação é uma ferida mortal, é um fracasso eclesial, é um prejuízo para a humanidade. Um novo mundo é possível, se formos uma família de irmãos. Por trás da separação há traumas ainda não curados. Só a humildade que sabe perdoar poderá unir-nos.
A porta do ecumenismo e do diálogo interreligioso é a amizade. Pequenos contatos, encontros, visitas mútuas, congratulações pessoais são chaves que abrem as pesadas portas do ecumenismo. Nossas mentes e corações sejam iluminados pela luz e o calor do Espírito Santo, para sermos repletos do espírito de benevolência, de perdão, de misericórdia. Toda divisão vem do Maligno. Não podemos continuar colaborando com o sucesso do tentador e com o fracasso do salvador. As razões que nos unem são bem maiores que as coisas que nos separam. Como é triste ver a humanidade buscando outras formas de unidade, diálogo, comunhão porque não podem contar com as religiões. A separação é um muro que deve ser abatido, se as espadas se transformam em arados, se a estepe pode tornar-se uma fonte borbulhante, se o luto tem condições de se transfigurar em festa, a comunhão também é possível. Neste assunto é preciso crer, esperar e amar.
Recentemente mulçumanos e católicos se encontraram para compartilhar sua fé e respeito por Maria, mulher de fé, mãe de Jesus. Fomos também agraciados por um belo e profundo livro sobre Maria, da autoria de um pastor da Igreja Presbiteriana Independente, que atua e vive em nosso meio aqui em Londrina. Exatamente Maria se tornou ponte de encontro, diálogo e unidade. São sinais dos tempos muito fortes.
Certamente, a unidade das religiões pode promover muitas iniciativas sociais em favor da solução dos problemas humanos, inclusive a droga, a violência, a fome, a corrupção. A comunhão e a unidade nos movem a vencer a inércia e omissão. Como seria diferente a sociedade, se fôssemos unidos. Em questão de unidade é preciso crer que ela é possível e assim esperar contra toda esperança. O batismo é o vínculo da unidade indissolúvel. Somos um em Cristo.
O átomo e o universo subsistem numa grande unidade dos elementos naturais. Um time, um coral, uma empresa, o organismo humano, sobrevivem graças à unidade. A família é uma instituição fundamentada na comunhão, unidade, no diálogo. Tudo na terra depende do ecossistema, que é uma cadeia de interdependência e unidade. O próprio Deus vive na eterna comunhão das pessoas divinas. O pecado da divisão e da separação das religiões é um escândalo diante do mandamento da unidade. ''Ou vivemos como irmãos, ou morreremos como loucos'' (Luter King). A unidade é o DNA da humanidade, é a marca registrada da criação e da salvação, é o nome de Deus: Pai, Filho, Espírito Santo, a família divina.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina





