Brasil alimentando o mundo
Que o Brasil é o grande produtor mundial de alimentos, isso é indiscutível. No entanto, uma vantagem de extrema importância que deve ser considerada em ralação aos demais países produtores de alimentos, é que somos o único país do mundo em condições de aumentar essa produção de alimentos, em 40% do que já é produzido até 2020.
Esse incremento de 40% em nossa produção de alimentos, não quer dizer que iremos invadir áreas de floresta, causando grande desmatamento e, consequentemente, aumentar o aquecimento global. Pelo contrário, apenas aproveitando nossas áreas degradadas já cultivadas, a maioria com pastagens, e aumentando nossa tecnologia no campo conseguiremos atingir as metas previstas.
Segundo dados da ONU, atualmente, aproximadamente 925 milhões de pessoas no mundo não comem o suficiente para serem consideradas saudáveis. Além disso, o crescimento da população global caminha a passos largos, principalmente em locais onde a miséria é maior. Assim, para acompanhar o crescimento populacional, a produção mundial de alimentos terá que crescer 50% até 2030 e dobrar até 2050.
Nesse contexto, alguns países conseguirão crescer dentro da média esperada, e outros, abaixo. O Brasil será o fiel da balança: país que equilibrará o estoque mundial. Nossos governantes e líderes empresariais já deveriam começar a trabalhar sobre esse aspecto, criando empresas nacionais, com participação de capital privado, vislumbrando o mercado da agroindústria, e não apenas mandarmos para o resto do mundo nossos produtos in natura. Essa iniciativa, aumentaria a rentabilidade para nossos produtores e industriais, tirando a maior fatia dos lucros das mãos de empresas estrangeiras, que transformam nossa matéria-prima.
Como já possuímos grandes empresas nacionais e estaduais nas linhas de pesquisa e extensão rural, vamos criar empresas agroindustriais aproveitando ao máximo essa característica já fincada em nosso gene: alimentar o resto do mundo.
GUILHERME ACQUAROLE é engenheiro agrônomo em Londrina



O poder dos magistrados
A impropriedade de certas leis é consonante com a baixa sabedoria dos homens. Ouço de advogados que somos escravos da lei, mas se assim é, isto precisa ser mudado, porque a lei é que tem de ser escrava dos homens, porque é a eles que deve servir. Se o senso comum repudia uma lei, então ela deve ser extinta, por imprestável. As cortes da Justiça são obrigadas a seguir as normas legais, e estas foram estabelecidas por cidadãos de limitado saber, que são os parlamentares. Por isso, penso que os magistrados deveriam confabular frequentemente com os criadores das leis.
Se ainda não foi inventado um regime melhor que a democracia, proponho que inventemos algo como a prevalência do discernimento, coirmão da sabedoria e que pode funcionar em harmonia com uma ordem legal, desde que sábia. Os juízes deveriam formar um grande conselho que pudesse decidir inclusive à revelia das leis injustas, para dessa forma eliminá-las. Se eles têm o nome de juízes, o pressuposto lógico é que deveriam ter a soberania de livremente insurgir-se contra os absurdos legais. Porque autoridade de conhecimento e experiência não lhes falta.
Imaginemos que um magistrado não queira martirizar a velhinha pobre que foi presa (uma prisão que realmente aconteceu) porque não pôde pagar a pensão alimentícia devida pelo filho. Se a instância seguinte avalisar sua decisão e a instância suprema fizer o mesmo, estará derrubada uma norma legal despropositada. Cabe lembrar, no caso, que foi contemplada a lei de defesa da infância e da juventude, mas ferida a lei de defesa do idoso. Estranho critério. E mais: alguém preso e sem dinheiro pode pagar uma conta? E ainda mais: ninguém deve pagar pela dívida de outro. As câmaras judiciais também são dependentes de sanções, mas uma decisão conjunta das três instâncias contra o torto e descabido provocaria uma revolução e resultaria num reexame das leis estapafúrdias.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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