Universidade e sociedade: questões comuns
Se há problemas comuns, temos que resolvê-los em comum. Uma compreensão endógena de sociedade e de universidade faz-se necessária e fundamental para essa atitude, esse novo posicionamento. Hoje, mais do que nunca, há necessidade de produzir um sistema metodológico de acompanhamento das transformações da realidade com dados e informações fidedignas. E desse posicionamento possibilitar a geração de indicadores sustentáveis para a edificação e avaliação dos modelos que desejamos emergir com esforços conjuntos destes novos contextos.
Nesse esforço é preciso pensar instrumentos e condições formativas para fornecer condições de vida digna e trabalho para todos. Manter aceso o debate e nos perguntar se queremos e temos realmente capacidade de enfrentar e resolver os problemas locais e regionais. Para tanto, devemos caminhar ao lado, e criticamente, com os demais movimentos sociais e forças políticas de nossa região. Criar canais de comunicação e transmissão entre a universidade e o mundo local/regional. Responder a um conjunto de questões, de demandas, diante da expansão dos espaços profissionais com uma leitura de um sistema sustentável, onde, antes de profissionais há necessidade de formar sujeitos responsáveis e comprometidos com a construção de um mundo justo, equilibrado e de oportunidades para todos.
Dessa concepção deriva a possibilidade de construir uma agenda universitária para o desenvolvimento sustentável de uma região. Nessa esteira propomos enumerar algumas questões que permitem refletir a ação: que tipo de desenvolvimento se almeja; qual a estratégia para essa agenda de desenvolvimento; quem são os protagonistas e os fatores de mudança; como despertar uma cultura de sustentabilidade, hoje calçadas em processos insustentáveis.
Dessa forma, pensar maneiras de transferência para os encontros sociais com a comunidade local e regional, para os diálogos de saberes, para a construção de conhecimentos pertinentes e a participação em projetos sociais não excludentes e sustentáveis, em processo de via dupla.
Para tanto necessário se faz: avançar no campo da investigação e dos diagnósticos; distanciar-se da fragmentação do conhecimento; criar novos métodos de aprender nossa realidade; firmar, com todos que desejam, uma identidade local/regional; ouvir todas as vozes e incorporar todas as diferenças; combater as desigualdades socioeconômicas geradoras da exclusão; gerar processos científicos, tecnológicos, culturais, sociais, econômicos para que um novo processo civilizatório se instale; uma constante reflexão, revisão e avaliação dos nossos métodos e paradigmas. Entendo que há um difícil trânsito e um largo espaço entre os conceitos e as práticas. Esse exercício pode se obter através da revalorização e do reconhecimento interno do fazer universitário, permitindo o exercício de uma nova de geração de conhecimentos. Dessa forma, a UNiversidade pode gerar um projeto educativo e formador mais audaz.
A participação da universidade, através da produção de conhecimentos com compromisso social e ambiental, pesquisa/extensão, é fundamental para o planejamento, formulação e gestão de políticas públicas e práticas sustentáveis. Entender os alcances positivos da criação e adoção de novas tecnologias é fundamental. Adotar novos procedimentos integrados e cooperadores interdisciplinares e coletivos é essencial. Atestar de forma sistemática responsabilidades em novos currículos, programas e projetos para propor de forma plena qualidade transformadora, preservando o patrimônio humano e a biodiversidade é primordial. Nisso a universidade coloca-se como um espaço de educação permanente de um apreender constante, uma educação continuada para si e para os que com ela se relacionam, parte e todo. Ou tão pouco, pode-se ficar de braços cruzados vendo simplesmente onde nascem as auroras e onde morrem os crepúsculos.

PAULO BASSANI é sociólogo ambiental e professor na Universidade Estadual de Londrina

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