ESPAÇO ABERTO
Vidas e velas
É sempre importante perceber como você vê a vida e lida com ela. Se autoobservar é uma atitude que pode ser bastante construtiva e caso você veja que vive de uma maneira que não lhe convém é necessário fazer ajustes. Agir de uma forma pessimista é ficar preso à lamentação. Reclama-se tanto e de tudo que os olhos só passam a valorizar aquilo que há de mais feio e ruim. Tudo, para essas pessoas, dá errado e elas ficam cada vez mais afundadas em suas reclamações. Com isso, perdem o gosto pela vida, se tornam amargas e se esquecem dos sonhos que algum dia tiveram. Certamente, não é bom viver assim.
Há outras pessoas que não reclamam. Reclamar dá muito trabalho para elas! É preferível se acomodar e aceitar tudo como está, assim não há motivos para aborrecimentos. Essas pessoas têm sonhos, criam toda uma fantasia do que querem para si, mas não fazem nada para que os sonhos saiam do reino da fantasia e comecem a entrar no da realidade. Esperam que as coisas simplesmente aconteçam sem que delas nada seja exigido. Se tornam preguiçosas e, por isso, nada alcançam que seja de valor.
E há pessoas que aprendem. Essas têm sonhos e ambições que querem realizar e para isso se permitem aprender com as experiências da vida. Não temem os próprios erros. Quando algo dá errado elas podem usar suas mentes para refletir e criar alternativas que as permitam se transformar. Não ficam presas nas lamentações, pois valorizam o tempo e sabem que este não volta e, por isso mesmo, deve ser bem aproveitado. Não esperam que as coisas caiam do céu porque entendem que são responsáveis por si próprias e caso não se cuidem ninguém mais o fará. Precisamos nos transformar sempre e acompanhar o tempo para não corrermos o risco de passar pela vida sem dela nada ter aproveitado e feito. William George Ward tem uma frase bem interessante para refletirmos: ''O pessimista se queixa do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas''.
SYLVIO DO AMARAL SCHREINER é psicoterapeuta em Londrina
Pela busca do santuário interior
Pode ser que mudando de igreja as pessoas encontrem um novo caminho, ou pode ser que fiquem no mesmo lugar, sem nenhum progresso espiritual. Quando alguém se translada de uma corporação eclesial é porque não encontrou ali respostas que buscava e espera encontrá-las em outra. Refiro-me à recente informação de que mais uma leva de fiéis transmigrou da igreja apostólica romana para igrejas evangélicas. Mas se ambas são igrejas bíblicas, haverá apenas uma mudança de tabernáculo. Porque se o entendimento das escrituras não foi alcançado em um, não o será no outro. Até porque a pregação é idêntica.
Toda a busca é sempre providencial, mas o repositório onde estão todas as respostas sobre as indagações do homem acerca do transcendente situa-se em seu santuário interior, portanto, dentro dele mesmo. Porque ali reside a chama divina e ali ressoa a voz de sua essência primordial, que é a voz que emana da Fonte Suprema. Esta é a que deve ser ouvida mais frequentemente, sem desprezo de também ouvir as vozes externas - se esta for a vontade -, mas é certo que estas têm causado muita confusão.
Pode-se ter uma religião sem a obrigatória filiação a uma instituição organizada, da mesma forma que um político pode ser um bom governante sem precisar de um partido, que só lhe fará exigências e lhe cobrará dividendos. As igrejas aproximam pessoas e promovem uma salutar convivência e as unem em serviços de ajuda e benemerência. Mas precisam aprofundar-se em indagações que inquietam muitos fiéis, temerosos de manifestar-se. Saber quais são elas é questão de despertamento dessas próprias igrejas. Nestes tempos em que vão aflorando entendimentos mais elevados, de diferentes naturezas, se plasmará de forma espontânea uma só religião, que ocorrerá pela unificação de pontos comuns de todas e sem o comando de nenhuma delas. Essa religião única - no sentido da religação com nossa origem primeira - eliminará as disputas e fará desabrocharem mais intensamente a fé e a espiritualidade e conduzirá os fiéis ao alcance de uma mais avançada cosmo-consciência.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





