ESPAÇO ABERTO
Londrina e Maringá em pé de guerra
Conta o folclore nordestino que, no século passado, uma importante cidade do interior potiguar tinha tamanha rivalidade com a capital do estado que, nos finais de ano, seus moradores para não pronunciarem do nome da arquirival nunca diziam o tradicional feliz Natal. Todas as guerras deflagradas ao longo da história têm sempre um elemento motivador: disputa por território, provocação, etc.
No caso da guerra recém-declarada entre Londrina e Maringá e que, a cada dia fica mais visível, um dos elementos motivadores do conflito foi, pasmem, a cor da tampa do tubo de cola escolar. A nossa (londrinense), de cor azul, dizem ser ''made in Brazil'', enquanto que a do nosso perigoso inimigo é amarela e ''made in China'', daí ser três vezes mais barata. O primeiro disparo foi do Norte em direção ao Noroeste que revidou mostrando que sua cola também era brasileira, inobstante sua tampa ser amarela.
Não se contentando, ''nosso inimigo'' mandou colocar bem próximo das nossas trincheiras cartazes que enaltecem sua grandeza, seus feitos, seu potencial bélico (digo, econômico), sua superioridade no campo da representatividade política. Com isso, instiga ainda mais o ódio latente no ''front'' londrinense que, para alimentar a sórdida pinimba, convida os representantes de lá a virem passar umas horas em nosso solo, convite esse considerado como provocação, motivando o voto de repúdio a Londrina.
Se tudo não fosse real, a narrativa poderia ser atribuída ao inesquecível Odorico Paraguaçu, de saudosa memória. Imaginem, se as duas cidades, cada uma com suas características e peculiaridades, se juntassem em torno de objetivos comuns, aumentando o potencial reivindicatório junto às instâncias do poder, o quanto a população da região sairia ganhando? Enquanto as duas importantes metrópoles progridem, seus governantes se digladiam e continuam alimentando disputas sem o mínimo sentido, como se nessa guerra idiota tivesse vencido ou vencedor.
ANTONIO DA SILVA PINHATARI é bacharel em Direito em Londrina
Consciência da marcha evolucionária
Uma das maiores dádivas do ser humano é a sua condição evolucionária, aqui e na continuidade desta vida, contrariando a crença de que, após esta existência, iremos de imediato ''para o céu'' ou ''para o inferno''. Certo é que seremos conduzidos para estalagens de purificação, denominadas mansões purgatoriais; podemos retornar para cá; transmigraremos para outros mundos habitados, de diferentes níveis; e dali, para paragens celestiais mais elevadas, até alcançar o Paraíso. Ou pode ocorrer a queda, por rebeldia ou descrença. Sobre o propagado inferno, criou-se a imagem de que é um abismo de labaredas ardentes, onde os pecadores serão lançados. Existem as regiões de trevas e a legião dos magos negros - que são seres rebelados -, mas o inferno de fogo é uma fantasiosa invenção.
As trilhas de ascensão passam por diferentes vivências nas ''muitas moradas da casa do Pai'', por isso não tenhamos a ilusão de que, logo após o desenlace carnal, cheguemos ao descanso num jardim de delícias ou seremos projetados para caldeirões incandescentes, como se Deus fosse capaz de tanta crueldade. Nosso destino é evoluir, e os degraus de elevação estarão sempre dispostos a nossa frente. Seremos convocados para o trabalho, que é incessante - para os mortais ascendentes e para as diferentes ordens das dimensões espirituais - e podemos progredir, estacionar ou regredir, até onde esteja na dependência de nosso livre-arbítrio.
Temos em nós um supremo guiador. Pode-se defini-lo como a centelha de Deus residida em nós. O Espírito Universal sustenta nosso viver e as hostes celestiais nos assistem. Portanto, não estamos sós. Somos seres supra-humanos vivendo na fisicalidade, por isso não podemos ignorar as obrigações terrenas, mas nossa realidade não é a aparência carnal e sim nossa essência espiritual. Não permitir que essa essência pereça, este é o sentido da salvação, que significa o ingresso na imortalidade.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





