Democratas, a força do povo
A propósito do artigo '''DEMóstenes': a força do povo'' (Espaço Aberto, 15/4), a despeito do aspecto histórico nele lançado, importa também lembrar aos senhores leitores que tal qual asseverado pelo articulista, professor Clodomiro José Bannwart Júnior, não apenas o Democratas, se viu desvirtuado pelas idiossincrasias observadas nos partidos políticos pós-Constituição de 1988. Apenas para citar um exemplo, o PT, que surgiu como a redenção do povo, é o maior vetor de corrupção atual. Suas administrações são pontuadas por escândalos escabrosos e não resolvidos. Admite citada sigla, a corrupção, os acordos imorais, como meio de conseguir se manter no poder. Assim tem sido, de um modo geral.
A teoria dos partidos políticos não consegue se manter na prática, eis que provocada por fatores exógenos, se imiscue a corrupção. No interesse de se perpetuarem no poder, esquecem-se das básicas posições pregadas por seus estatutos. Dentre os partidos brasileiros, o Democratas com certeza se mantém fiel a seus estatutos. E mais, quaisquer denúncias são investigadas e tratadas seriamente. O caso do senador Demóstenes é prova disso, assim, como o caso do ex-governador do Distrito Federal José Arruda, ambos citados no mencionado artigo.
Nesse diapasão, o Democratas, independente da sigla usada em sua longa história política, tem mantido um comportamento digno de referências e extremamente contundente contra a corrupção, não endossando o fisiologismo a qualquer custo, prática tão corriqueira atualmente.
Aliás, o posto ocupado pelo Democratas na luta contra a corrupção no Brasil é um comportamento de vanguarda do partido, que, diga-se de passagem, hodiernamente, exerce essa função, na oposição, de uma forma ''nunca antes vista na história deste país'', sempre pautado pelos princípios éticos e morais, diferentemente ao comportamento do governo lulista. Ponto este, infelizmente, esquecido pelo nobre articulista, que não se atentou ao caráter mutagênico da ética de outros partidos.
Talvez por isso suas atuações incomodem tanto a ponto de merecer um tratamento privilegiado na mídia incendiária que, por vezes, ignora o maior escândalo político brasileiro: o ''mensalão''. Portanto, é falso o raciocínio que permite extrair a proposição de que o Democratas é um partido desarticulado e frágil, pois trata-se de um partido efetivamente democrático (quiçá o único dos ''grandes'' que pratica a democracia tanto interna como externamente) em que as grandes lideranças não ocupam um espaço maior do que a própria agremiação.
Logo, dizer que o Democratas padece de história contínua e de viva memória é recorrer a lugares-comuns, antiquados e fora da realidade política. Confunde-se, como de hábito, a doença com o doente, ou seja, Demóstenes com Democratas (nesta ordem). Quanto à pecha ''Fênix'' atribuída ao Democratas, deve-se ter em conta que as agremiações políticas são entidades eminentemente sociais, consequentemente, são (deveriam ser) entes dinâmicos; quisera todos os partidos pudessem sustentar orgulhosamente a alcunha de Fênix e estaríamos em um cenário social indubitavelmente melhor e mais avançado.
Contudo, a renovação é algo que incomoda a ala mais retrógrada da política que, acostumada aos antigos e ultrapassados debates sobre ''luta de classes'', não consegue se adaptar às novas discussões e atores (meio ambiente, tecnologia, etc.), talvez por isso sempre recorra aos lugares-comuns e rótulos antiquados para distorcer o campo da realidade e tornar o que é integro e corajoso em fraqueza e apatia.
Enfim, é possível que essa atitude eticamente rigorosa seja aparentemente altruísta e capaz de induzir o partido a mais uma reconstrução, todavia, o que efetivamente importa é que a representação popular seja legítima e séria, e é esse o principal projeto e compromisso do Democratas.
Assim, a ideia de enxovalhar a moral do Democratas, não resiste a uma análise mais séria e apartidária. Trata-se de um partido democrático e com estatutos que são cumpridos. Seus problemas são tratados de acordo com a lei e por isso é uma voz dissonante e forte no Congresso Nacional, em prol dos ideais democráticos.

OCTÁVIO CESÁRIO PEREIRA NETO é presidente do Democratas Londrina

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