Ressurreição: novidade inaudita
A humanidade sempre se perguntou sobre o após-morte. Uns encontraram a resposta na reencarnação. Outros acreditam no absurdo, no nada, no vazio. Jesus nos trouxe a resposta verdadeira, nova, inaudita: a ressurreição. Se Jesus não tivesse ressuscitado, a fé cristã não ficaria de pé. Jesus mesmo seria um grande fracassado e iludido. A palavra, a Igreja, os sacramentos, a esperança, tudo teria desaparecido.
A ressurreição é o ponto decisivo, é a boa notícia que confirma a existência de Jesus no passado, que ele está vivo e atuante no presente, que Ele é a certeza do futuro. Ressurreição é uma realidade inusitada porque não é reanimação de um cadáver, como foi a ressurreição do jovem de Naim, da filha de Jairo ou de Lázaro. A ressurreição é uma nova dimensão da vida, um salto qualitativo, um novo gênero de vida. Quem ressuscita não volta mais para o nosso mundo. Já está glorificado em Deus.
Jesus não voltou à vida normal deste mundo. Ele está totalmente em Deus, já não pertence ao nosso mundo. Seu corpo humano está totalmente espiritualizado, glorificado, divinizado. Há uma continuidade e uma descontinuidade no corpo de Jesus ressuscitado. É o corpo daquele que foi crucificado que agora está ressuscitado e glorificado. O sepulcro está vazio e Jesus aparece vivo. Agora, tudo recomeça. A ressurreição é o reinício da Igreja e força da missão.
Com a ressurreição temos uma nova criação, um novo começo, uma nova história. O encontro das pessoas, mulheres e discípulos com Jesus é um encontro transformador. Os apóstolos tornam-se testemunhas da ressurreição e transmitem aos outros esta experiência.
A ressurreição não é uma invenção dos apóstolos, nem uma experiência mística, nem especulação humana. É um fato novo, um acontecimento inédito, a maior e mais surpreendente notícia. Tudo depende da ressurreição. Jesus, o evangelho, a Igreja, a verdade, o bem, o futuro tem seu fundamento na ressurreição.
Sem ela tudo se espatifa, fracassa, desaparece. Tudo subsiste graças à ressurreição. Os tronos desmoronaram, mas Jesus, servo, humilde, pobre, vítima dos poderosos, não desmoronou. Ele venceu Satanás, venceu o mal, venceu o poder político. Jesus é a vítima vitoriosa.
A causa de Jesus é uma causa vitoriosa. Quem segue a Jesus e evangeliza está trabalhando por uma causa já vitoriosa. A ressurreição é um fato que atinge toda humanidade e a criação inteira. Nós todos ressuscitaremos e todas as coisas irão participar da glória de Deus. Nossos corpos também serão gloriosos, transformados, espiritualizados, iluminados. Não há notícia tão nova, tão boa, tão inaudita como a da ressurreição. Abrem-se as portas do futuro. Toda a história e a existência humana enchem-se de sentido e de razões para fazer o bem, praticar a justiça, lutar pelos valores perenes. Nosso fim não é o cemitério, mas, o céu, a glória, a honra, a eternidade, a plenitude da vida. O maior inimigo que é a morte foi vencido e a esperança não desilude.
Com a ressurreição, a fé, a esperança e o amor recebem reforços, credibilidade, fundamento. Corações ao alto, pois aqui na terra, somos construtores da cidade eterna e nela habitaremos a nova Jerusalém. Nossa morada e pátria definitiva é Deus mesmo. A fé na ressurreição deu audácia aos apóstolos, coragem aos mártires, desassombro aos missionários, fortaleza aos perseguidos. Podemos hoje, pela fé, ouvir, ver, tocar e contemplar o Ressuscitado e encontrá-lo na eucaristia, na palavra, na comunidade reunida e nos pobres, doentes, peregrinos, enfim, nos irmãos.

DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina

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