A 'saga' do Ouro Verde
Tarde de domingo do dia 12 de fevereiro de 2012: nos céus de Londrina uma nuvem de fumaça negra em formato cilíndrico avança o infinito. Era o Teatro Ouro Verde protagonizando seu próprio espetáculo pirotécnico ardendo em chamas, interrompendo-se a si próprio em seu último ato.
A Folha de Londrina divulgou em suas edições detalhes, fotos históricas e depoimentos de pioneiros informando como tudo começou na década de 1950. Comentários emocionados de artistas locais comoveram a todos e, assim, vozes do passado e do presente se fundiram no calor do episódio trágico e inesperado.
Como uma indústria que não para nunca, o Teatro Ouro Verde, uma verdadeira fábrica de sonhos e com agenda sempre superlotada, não poderia parar. Mas parou!
O espetáculo final de um gigante que tombou foi explicado pelos técnicos e peritos que entraram em cena para, em meio às cinzas e escombros, tentar descobrir o que causou tamanha destruição - segundo a perícia do Instituto de Criminalística um curto-circuito entre o forro e o teto do teatro teria iniciado o incêndio.
Construído para ser cinema, o antigo Cine Ouro Verde, depois que passou a ser administrado pela Universidade Estadual de Londrina, teve o seu palco ampliado e, ainda que não totalmente adequado em suas instalações, era o que tínhamos de melhor para receber as varias expressões artísticas.
Na década de 1950 as instalações eram elegantes e específicas para a projeção de filmes, o que foi muito importante para a época. Mas a cidade cresceu e com ela os anseios por um espaço mais adequado, onde a população pudesse apreciar o resultado do crescimento cultural que acontecia dentro da UEL, sobretudo nas artes cênicas e na música, respectivamente liderados pelos professores Nitis Jacon e Othonio Benvenuto, ambos grandes pioneiros da história recente de Londrina.
Se por um lado, o Ouro Verde perdeu um pouco do seu glamour das sessões de cinema, ganhou projeção nacional ao receber anualmente em seu palco o magnífico resultado das produções que se realizam anualmente nos festivais de Música de Londrina (FML) e Festival de Teatro Londrina (Filo), sem contar as apresentações mensais da Orquestra Sinfônica da UEL (Osuel) e dos Coros da UEL dentro da Temporada Ouro Verde.
É unânime que não podemos ficar sem o Teatro Ouro Verde e que ele precisa ser reconstruído com urgência. Se as produções artísticas programadas para este ano precisam ser mantidas, não podemos, entretanto, nos acomodar achando que os locais alternativos poderão se tornar definitivos, evitando-se gastos aparentemente desnecessários.
Basta imaginar Londrina sem o fervilhar cultural do Ouro Verde recebendo em seu palco os encontros de coros, festivais de dança, teatro, música erudita, shows, formaturas, congressos, etc. Será um grande retrocesso econômico pela ausência de movimentação de artistas, alunos e plateia e, principalmente, o empobrecimento da extensão cultural, tão importante para o crescimento completo do ser humano.

OSEAS PEÇANHA NASCIMENTO é professor de Educação Artística e músico da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina

mockup