Educar para aprender
Todos falam em educação, todos afirmam saber da sua importância e de como é vital para nosso país se desenvolver. Mas, então, por que a educação no Brasil, com raras exceções, ainda continua com um nível tão baixo? Em 2011 a Unesco classificou o Brasil na 88º posição entre 127 países no ranking da educação, enquanto nossa economia está entre os 7 maiores do planeta.
Muitos afirmam que o problema é que faltam recursos. Professores, em todos os níveis, clamam por melhores salários. Realmente, com melhores salários teremos mais e melhores profissionais interessados em lecionar e investir na carreira. Mas não é só isso, se fosse assim tão simples, o nosso Judiciário seria exemplo mundial, afinal nossos magistrados ganham bem, pelo menos comparando com a realidade da maioria da população. Assim também como nosso Congresso deveria ser maravilhoso, pois não faltam recursos aos nossos deputados e senadores. Ou seja, dinheiro é importante, mas não é só isso que vai resolver de fato o problema.
Depois de passar mais de dez anos lecionando, vejo que educação é uma atividade extremamente complexa. O professor é um fator importante, deve ser um profissional preparado, motivado e com conhecimento técnico e pedagógico. A sala de aula precisa oferecer condições mínimas de conforto. Não adianta colocar um ventilador barulhento, uma lousa velha, giz que esfarela e carteiras escolares bambas, em que mal cabe um aluno.
O aprendizado é um processo de crescimento e de amadurecimento. Precisa ser vivenciado. A escola precisa cobrar e apoiar atividades escolares complementares. Diretores precisam manter a ordem, a disciplina, a motivação e a integração entre alunos, professores e funcionários. O conteúdo programático precisa ser realista e ser cumprido de fato e não apenas nos relatórios. Não adianta nada aumentar a carga horária, que raramente é cumprida de fato, sem melhorar a qualidade e o conteúdo das aulas. O aluno precisa aprender a pensar por si, a ter responsabilidade e a enfrentar os obstáculos e as dificuldades, sendo apoiado pelo professor, pela escola e pela família. A família precisa acompanhar e cobrar da escola que seu filho efetivamente absorva os conteúdos necessários e não simplesmente ''que passe de ano''. A escola precisa exigir do aluno disciplina, responsabilidade e comprometimento.
Com raras exceções, as escolas públicas se preocupam em manter reduzidos os índices de reprovação e escolas particulares em manter alto o índice de contentamento de seus clientes. Ou seja, por razões diversas, ambas evitam reprovar ou mesmo serem ''difíceis''. Professores mais exigentes são discriminados e ''convidados'' a serem mais flexíveis. Cada série vai empurrando o problema para o ano seguinte. O aluno acaba cursando o ensino fundamental e médio sem que seja de fato exigido seu aprendizado.
Basta analisar algumas provas de vestibular para se verificar que, em geral, é muito baixo o nível dos candidatos. Uma pesquisa no estado de São Paulo, o mais rico do país, mostrou que mais de 50% dos alunos terminam o segundo grau sem o conhecimento mínimo necessário de matemática.
Sem uma base, o curso ''superior'' muitas vezes acaba ficando comprometido e limitado; alguns alunos conseguem superar estas limitações, outros não. Educação é um investimento de longo prazo, não permite soluções mágicas, mirabolantes ou atalhos. Mas também é um investimento com retorno garantido e com altíssima rentabilidade.
É preciso que o sistema educacional, público e privado, ensine nossos alunos a aprender e a pensar. Para qualquer profissional, muito mais importante do ele sabe, é a sua capacidade de aprender e criar coisas novas. O futuro do nosso país vai depender muito do que se fizer hoje para melhorar a qualidade da educação do nosso povo.

DENILSON VIEIRA NOVAES é engenheiro, especialista em gestão pública, e servidor público em Londrina

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