ESPAÇO ABERTO
O preço da Copa
A Copa do Mundo de 2014 é um sonho dos brasileiros, mas os altos custos inerentes às obras de estádios e infraestrutura gerarão discussões até a sua conclusão. O planejamento apresenta vários vícios e fragilidades em tomadas de decisões, que já deveriam ser colocadas e votadas não somente quanto aos investimentos, mas também no tocante às solicitações feitas pela Fifa.
A cada novo cálculo, maiores são os custos apurados, ou seja, ou não sabem fazer contas ou tudo é provocado para gerar descontrole, favorecendo - direta ou indiretamente - empresas com preços majorados. Se houver uma análise pertinente à Copa, o gasto projetado inclui aeroportos, estádios, hotelaria, investimentos não vinculados às cidades-sede, mobilidade urbana, portos e segurança pública. Isso tudo soma um valor, até 6 de março de 2012, de R$ 26,5 bilhões. Somente com as arenas, os gastos projetados são de R$ 6,7 bilhões, dos quais já foi realizado R$ 1,5 bilhão, ou seja, cerca de 22,4%. Nas obras de mobilidade urbana, uma das principais, o aporte previsto é de R$ 12,4 bilhões, sendo que foi investido R$ 1,5 bilhão, representando 12,1%.
A Associação Brasileira de Infraestrutura e Estrutura de Base estimou gastos totais para a Copa de 2014: R$ 117,8 bilhões, valor esse superior ao projetado pelos representantes do governo, cujos valores giram em torno de R$ 26,5 bilhões. Agora vem o questionamento: quem está certo?
Em um país que dirigentes desconhecem contas e que não sabem ao menos quanto irá se gastar com as obras para a Copa, fica difícil analisar e controlar os recursos. As contas não fecham e o dinheiro, por falta de controle mais específico, pode descer goela abaixo em investimentos desnecessários, que somente encarecem o processo e não levam benefícios à coletividade. Está na hora dos governantes serem responsáveis e cumprirem contratos. A lição tem de sair de casa para que possamos nos impor e melhorar nossa imagem no exterior.
REGINALDO GONÇALVES é coordenador de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina em São Paulo
Pela via da progressão incessante
Na ceia que antecedeu sua morte Jesus disse aos apóstolos que tinha muito ainda por esclarecer, embora soubesse que eles não iriam entendê-lo, como até então só haviam entendido muito pouco de sua ministração. ''Não temais, porque irei guiá-los para toda a verdade ao passardes pelas muitas moradas'' - afiançou-lhes. Demonstrava aí que havia um caminho evolucionário a ser seguido, por eles e por todos nós, aqui e depois desta vida. Falou de possessões, mas nunca de inferno, porque inexistente. Deixou claro que a nossa transcendência para outro plano ''não é um descanso e sim uma progressão incessante''.
Nos momentos que precederam a sua prisão, e já ciente de que a hora havia chegado, Jesus não desejou valer-se dos seus poderes em benefício pessoal ou para defender-se dos inimigos, que eram poderosos. Nesse momento crucial, hostes celestiais estavam ali presentes, sob o comando de Gabriel, mas haviam sido prevenidas a não intervir, a menos que para isso Jesus lhes desse ordem. Mas tal não aconteceu. Revelava-se aí o aspecto divino e a submissão do Mestre, mas a tristeza que também o acometia revelava sua condição carnal. A dor era não pela prisão e a morte iminente, mas por deixar seus amados apóstolos, pelo episódio de Judas e pela incompreensão da família, que praticamente o abandonou quando ele deixara o lar.
Ao entregar-se à vida terrena Jesus queria experienciar a vivência humana, pregar o Reino e assim concluir a graduação que lhe faltava para a missão que teria, na continuidade, em seu universo regional de origem. Sua morte violenta não significou salvação para ninguém, apesar da crença equivocada que se disseminou. Jesus não viera salvar mas, pelas palavras e exemplos, indicar o caminho da salvação, demonstrando que o que salva é a consciência da filiação ao Pai e a vivência dessa condição, a fé genuína e inquebrantável e o mais elevado grau de amor fraternal.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





