ESPAÇO ABERTO
Além das Engenharias
A sociedade civil organizada e apartidária de Londrina vem estimulando a criação de novos cursos de Engenharias nas universidades públicas, como ferramenta prospectiva de progresso e desenvolvimento. A causa é nobre e urgente, pois a qualificação técnico-profissional atende e fomenta programas e investimentos, gerando emprego e renda, num crescente mercado de edificações, expansões na logística de transportes, tecnologias de sustentabilidade e vias alternativas de fontes de energia com multiplicação de alimentos.
Ainda temos a necessidade da Engenharia Biomédica, onde a inovação auxilia a reintegração social de milhares de pessoas que foram vitimadas por acidentes, muitas no descontrolado trânsito brasileiro. Por todas essas e por muito mais razões, a ''bandeira das Engenharias'' já tremula e anseia pela efetivação.
Contudo, além do que se planeja para futuras gerações, há mais aspectos que precisam compor a cartilha de nossos gestores, hoje e amanhã. Se fizermos um levantamento geográfico de Jacarezinho a Apucarana, incluindo a região Bela Vista do Paraíso, Sertanópolis e Sertaneja, além de Assaí, Uraí, São Jerônimo da Serra e outras cidades do Norte Pioneiro e do Norte Novo, teremos uma população de mais de um milhão de habitantes. Somente em Londrina são mais de 500 mil pessoas.
Na contramão de uma região sustentável, temos o triste cenário de somente uma faculdade de Medicina, a da UEL, com 80 formandos por ano. É premente que possamos ter mais instituições de ensino superior em Londrina com cursos de Medicina e outras áreas médicas afins.
Se a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o parâmetro ideal de atenção à saúde da população está numa relação de um médico para cada mil habitantes, nosso índice está numa escala negativa e vergonhosa. Mesmo que em Londrina tenhamos um corpo médico de excelência, ainda assim, há poucos profissionais para atender à extensa população, seja nativa, seja imigrante.
E qual seria a solução? Definitivamente é preciso que não haja mais enganações de gestores políticos que prometem o que não poderão realizar. Aumentar número de vagas em universidades públicas, por exemplo, não é a solução. Não há infraestrutura suficiente. Não há laboratórios de ensino que consigam albergar um maior número de alunos do que já existe.
É preciso melhorar as instituições públicas no que elas já possuem. Correção salarial, reposição de perdas e pagamento por produtividade, o que livraria o serviço público da tão indesejada estabilidade funcional. Porém, esse caminho é longo. Está na hora de Londrina ser, de fato, uma metrópole e não mais uma província. Há instituições privadas que podem e querem ofertar curso de Medicina na cidade. Há pessoas que podem frequentar. Há incentivos do governo federal, através do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), para pessoas pobres que também querem cursar Medicina.
Maringá, mais uma vez, nos superou. Lá, a iniciativa privada abriu recentemente um novo curso de Medicina e o número de inscritos demonstrou a real demanda que existe na juventude de nosso Estado. O governo, tanto federal quanto estadual, podem e devem ajudar. Primeiro, não atrapalhando. Segundo, carimbando a união da parceria público-privada com concessões e incentivos dentro da lei. Em pouco tempo, teremos mais estudantes, mais comércio aquecido, mais movimentação imobiliária, mais recursos públicos para atender hospitais-escolas credenciados e menos pessoas doentes.
Povo feliz é povo com moradia, comida na mesa e escola para os filhos. Mas tudo isso de nada adianta se não tiver boa saúde para viver.
WILMAR MARÇAL é professor universitário em Londrina





