ESPAÇO ABERTO
IBC: império em ruínas
Imagens mostradas pela FOLHA causaram grande impacto em muitas famílias remanescentes do extinto IBC. Em Camboriú, a psicóloga Malicé chorou ao ver a foto do armazém inaugurado pelo marido Lupércio transformado num imenso depósito de lixo e de descarte de materiais (IBC Londrina 2), enquanto que Massayuki Azeka, gerente pioneiro do armazém modelo Jacarezinho 2, para 1,2 milhão sacas de café, sentiu muita emoção ao vê-lo transformado em um esqueleto de concreto e ferro, sem paredes, portas e cobertura levados por ladrões.
Ante às imagens chocantes, lembrei-me de um homem, empreendedor e honrado de nome Carlos Alberto Franco Lichit que aqui chegara, no final da década de 50, com a incumbência de instalar na região o maior complexo de armazenamento, com capacidade para 30 milhões de sacas, comercialização e fomento à produção cafeeira. Para atender à necessidade premente, foram construídos em tempo recorde 40 armazéns que variavam entre 600 mil e 1,2 milhão de sacas. Foi constituído um quadro de mais de mil servidores, vindos das mais variadas atividades possíveis, treinados e divididos em grupos e distribuídos pela jurisdição de Santana do Itararé até a divisa com o Paraguai.
Em oito anos estava pronta uma gigantesca estrutura, à altura das exigências do maior centro produtor de café do mundo, que deu a Londrina o título merecido de ''Capital Mundial do Café'', solidificando a autarquia criada pela Lei 1779, de dezembro de 1952, o IBC. Depois do imenso sacrifício, da incansável dedicação e desvelo de um grupo de abnegados para construir o gicantesco império, começaram a surgir interesses políticos para administrá-lo. Então, aquele verdadeiro líder, que primava pela competência e honestidade, protagonista de uma fantástica história, em um dos períodos mais importantes da nossa região, teve que ceder o seu posto, saindo do jeito que entrou: pobre e levando consigo até a morte todo o desencanto e a desilusão por não ver reconhecido o seu legado. No Ilda Mandarino está a lembrança do seu nome: Rua Carlos Alberto Franco Lichit, um dos mais notáveis homens que conheci.
ANTONIO DA SILVA PINHATARI é ex-funcionário do IBC em Londrina
Abrindo os portais da claridade
Os livros sagrados têm sido fundamentais para despertar no homem a fé, mas pela leitura das revelações novas que lhes são pertinentes (e hoje disseminando-se em toda a parte) será mais fácil entender todas as suas cifras e simbolismos. Certamente que esses livros tradicionais permanecerão intactos e serão guardados como pontos de referência, mas irão cedendo espaços para verdades mais esclarecedoras ou ainda não reveladas. Jesus mesmo disse em seus dias terrenos que não entenderíamos ainda, por isso é dele a deixa que nos é dada de que iríamos entender num momento preciso.
Quem envia as novas mensagens - sem contrariar as anteriores, mas elucidando-as e acrescentando revelações até aqui desconhecidas - são, entre tantos outros, os mesmos mensageiros do passado que se manifestavam pela intermediação dos profetas. Nem tudo das escrituras deve ser entendido como ''palavra de Deus'', embora haja nelas muito de inspiração divina. Há ali também uma grande porção de escrita humana, como as genealogias, as epístolas, as epopeias, os apelos de Davi, os cânticos, as narrativas históricas. Ademais, no caso da Bíblia, muitas coisas foram retiradas ou alteradas e outras não contadas. Apaixonar-se por esses livros com obstinado fanatismo é idolatria, mas extraia-se deles o essencial e se terá suficientes ensinamentos.
Fala-se dos falsos profetas, e são muitos os que se apegam a isso para negar tudo o que é novo ou narrado de forma nova e com algumas correções. Basta saborear o fruto e então se saberá a árvore que o origina, e isto ocorrerá pela via do coração puro e não pela avaliação racional analítica, que pode estar contaminada pela má-fé. Os passos para o entendimento são lentos e o caminho é longo e pedregoso, mas é preciso empenho nessa empreitada. Para isso, nos foi concedida a dádiva do discernimento. Quando somos guiados pela fé genuína - que não pode ser confundida com o entusiasmo cego - os portais da claridade se abrem.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





