ESPAÇO ABERTO
O londrinense está lendo mais?
Acredito que em Londrina haja uma grande parcela de leitores. Quem gosta de ler vê no livro a magia do saber. Olha e encontra nas livrarias e bibliotecas plataformas onde se encontram perfilados de livros. Os sebos são santuários de livros. Cada volume parece ter alma de quem o escreveu, alma dos que o leram, que viveram e sonharam. Cada vez que o livro troca de mãos, a pessoa se fortalece quando passa os olhos por suas páginas. Nos sebos há livros que ninguém se lembra mais, perdidos no tempo, só que vivem para sempre se tornando imortais.
Segundo dados estatísticos do Instituto Pró-Livro extraídos da pesquisa ''Retratos da Leitura no Brasil'' realizada pelo Ibope, os leitores dizem que a leitura significa assimilar conhecimento, sabedoria, prazer, inteligência, informação e conhecer lugares nunca vistos.
Os dados tabulados mostram que as pessoas preferem em seu tempo livre assistir à TV (78%), ouvir música (54%), descansar (50%) e ler (37%). O Observatório do Livro e da Cultura constatou que as pessoas estão lendo revistas (52%), livros (50%), jornais (48%) e livros (36%).
As mulheres leem mais que os homens em todos os gêneros exceto em História, Política e Ciências Sociais. A Bíblia continua sendo a mais lida com 48%, seguida de livros didáticos 34% e romances com 32%.
Londrina é uma cidade universitária e está na frente das cidades cultas. A maioria lê e sabe que pelos livros descortinam-se mundos desconhecidos, aprendizagens infinitas e momentos gratificantes. Tudo isso nos leva a afirmar que quem nasceu leitor o será para sempre. Os leitores londrinenses querem ter mais acesso aos livros que os deixem mais felizes. São bem-vindas as campanhas de incentivo à leitura.
OSVALDO CARDOSO RIBEIRO é sociólogo e jornalista em Londrina
O temor das revelações novas
No que respeita às crenças religiosas, ocorre com muita frequência de as pessoas não desejarem ser surpreendidas com algo que lhes cause algum despertamento novo. As que se entregam fanaticamente à leitura dos livros sagrados chegam ao temor de que, se pensamentos novos as assediam, estejam se enfraquecendo na fé ou passando por tentações malignas. São muitos os que não dão oportunidade a que outros entendimentos se instalem, embora também não hajam assimilado plenamente aqueles que por tanto tempo cultuam. Seguem o que a tradição lhes passou, mesmo que em muitos casos cheios de indagações e sem encontrar respostas.
Se tais livros libertam aqueles de coração puro e de consciente livre - que se permitem a avaliação, sem receio, de tudo o que provenha de outras fontes - por outro lado escravizam tantos outros pela interpretação ipsis literis que fazem da letra. Estes perdem, assim, a oportunidade de uma reflexão mais profunda, que poderia lhes expandir os horizontes, aumentar seu poder de fé e induzi-los a uma melhor compreensão de por que existem, por que estão aqui e por que as coisas acontecem. É preciso extrair das escrituras tradicionais o seu substrato e assim formar-se um entendimento mais cristalino e ausente de conflitos e dúvidas.
Jesus nos conclamava à conformidade com a vontade do Pai, à consciência da nossa filiação a Ele e à fraternidade. Estas as pedras angulares de sua ministração terrena, ou - se querem alguns - de sua Igreja, mas esta deve ser entendida como o ministério do Mestre. As igrejas cristãs hoje existentes inspiraram-se nas palavras desse inigualável libertador (e também em ensinamentos das escrituras antigas), mas se Jesus deixou uma religião, estribada na fundamentação da Paternidade Divina e da irmandade universal, certo é que não fundou nenhuma igreja.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





