ESPAÇO ABERTO
Ouro de tolo
O Brasil festejou recentemente o anúncio britânico que o coloca como a 6 economia mundial. O sexto maior PIB do planeta, conjunto de toda a riqueza produzida por um país. Mas é preciso lembrar que o caminho para os chamados países desenvolvidos tem muitos obstáculos.
Na euforia, economistas preparam nova comemoração: antes de 2015 o Brasil ultrapassará a França, tornando-se a 5 economia do planeta. Porém, considerado na forma per capita, o festejado PIB brasileiro não aparece sequer no G-70. E, por razões óbvias, a agora 7 economia global - Reino Unido - possui o 28º Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do planeta. Nesta avaliação o Brasil sequer aparece no G-80. Mais completo que o PIB, o IDH embora considere expectativa de vida ao nascer, acesso ao conhecimento (escolaridade) e o PIB per capita, falha na sua avaliação, sobretudo em relação aos parâmetros ambientais.
Assim, em relação ao índice de sustentabilidade ambiental o Brasil ocupa 62 posição do ranking mundial. O Isew, da sigla em inglês que significa índice de bem-estar econômico sustentável, corrige números do PIB e do IDH. Para estes dois indicadores, tudo é convertido em riqueza. Todo o dinheiro, público ou privado, despendido em casos de degradação, devastação e poluição ambiental, os gastos com saúde por conta de águas contaminadas, todo esforço para despoluir rios e praias: tudo é sinônimo de riqueza. Para o Isew, toda degradação ambiental, toda depreciação do capital natural, é contabilizada como um valor econômico negativo.
O caminho em questão passa obrigatoriamente pelo desenvolvimento sustentável. Ou se busca a sustentabilidade ou se continua com este modelo falido, o qual caminha a passos largos para o esgotamento da capacidade de os ecossistemas suportarem tamanha escala de destruição da natureza. Para tanto, as mudanças devem ocorrer nas pessoas, nos comportamentos e não necessariamente nas ''coisas''. Se o modelo econômico atual se mostra falido, isso ocorre porque temos comportamento altamente predatório, no qual impera o grande mal da humanidade: o consumismo.
Estamos em ano de eleições municipais e nesse caminho por melhor qualidade de vida nenhuma outra esfera política é tão importante quanto o município. É na cidade que a vida acontece. É inadmissível que, em pleno século 21, o poder público colete nosso lixo para depositá-lo a céu aberto, que colete esgoto para lançá-lo nos rios. E o que é pior pagamos, e muito caro, para essa insanidade.
É na cidade que devem ser implementadas políticas para áreas verdes visando o bem-estar da população. É nela que se deve melhorar a mobilidade urbana, reduzir o estresse e a poluição do trânsito. Na educação básica deve-se tratar o meio ambiente como preceituado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, ou seja, como um tema transversal. Crianças não podem crescer pensando que o problema do lixo se resolve com um nó em uma sacola de plástico. Pensando que saneamento é sinônimo de apertar um botão de descarga no banheiro. Faz parte de uma política econômica e ambiental inteligente que cresçam aprendendo a real participação de todos e de cada um no agravamento dos problemas ambientais.
A mudança de comportamento muito colaborará para que o Brasil melhore sua vergonhosa classificação em rankings como o da educação, corrupção, violência doméstica, IDH, sustentabilidade ambiental.
Assim, em outubro é preciso praticar o voto como um ato de esperança. Mas, como bem lembrou Paulo Freire: ''Esperança do verbo esperançar''. Chega do verbo esperar, até porque, como afirma o respeitado economista Ladislau Dowbor: ''Crescer por crescer é filosofia de célula cancerosa''.
REGINALDO JOSÉ DA SILVA é biólogo pós-graduado em Análise Ambiental e Policial Militar em Londrina





