Onde estão os filhos de Londrina?
Infelizmente, Londrina perdeu o dinamismo. Boa parte de seus filhos saiu da cidade para procurar horizontes que a cidade deixou de proporcionar. Sempre podemos culpar os péssimos prefeitos pela trajetória declinante da cidade. Mas depois de Wilson Moreira, que outro prefeito minimamente razoável Londrina teve? Uma cidade que elege, por 20 anos seguidos, maus prefeitos tem que se confrontar com a incômoda verdade: a culpa é menos dos políticos e mais do povo.
O londrinense amoleceu em algum momento de nossa história e deixou de ser empreendedor. Passou a acreditar que é uma honra para os empresários estarem na cidade. Logo, eles viriam para cá independentemente dos absurdos que ocorrem aqui. Até abrir um novo supermercado virou crime. Essa nova legislação (Lei da Muralha) mostra o ridículo que tomou conta de Londrina. Em outras épocas o prefeito e os vereadores teriam vergonha de propor algo semelhante. Se tais medidas contra a competição, contra o consumidor e contra a geração de empregos, são tomadas hoje, isso ocorre porque a população deixou de se importar.
As restrições ao funcionamento de estabelecimentos comerciais matam os empreendedores que ainda acreditam em nossa cidade. Parece que Londrina se esqueceu da lição que a tornou grande: trabalho duro e honesto. Em breve será proibido até trabalhar. As cidades vizinhas agradecem. Afinal, nelas o empresário é recebido de braços abertos e não expulso a pontapés por legislações absurdas que encarecem o preço do produto e restringem a liberdade de trabalho.
Está na hora da sociedade civil de Londrina se mobilizar, aprovar reduções expressivas no IPTU e criar facilidades para o surgimento de novos negócios, abolir a estúpida legislação que proíbe novos supermercados no Centro e abolir também as igualmente estúpidas restrições à abertura de estabelecimentos comerciais em horários alternativos. O caminho para Londrina é simples: podemos apoiar o trabalhador e o empresário, ou podemos alimentar pombos.
ADOLFO SACHSIDA é doutor em Economia e pesquisador do Instituto de Pesquisa Economica Aplicada (Ipea) em Brasília



Atributos de uma boa religião
Uma religião pode subsistir sem vínculo com uma igreja, porque não tem necessidade de uma instituição que lhe imponha regulamentos. O que se estriba na fé não precisa ser dependente de uma fundamentação reguladora e que force a obediências. Para que haja uma perfeita fusão entre ambas (a igreja elevando-se ao nível da religião), será preciso que esta elimine as suas impurezas e alcance um elevado grau de purificação. A religião é um estado de espírito de cada indivíduo e pode agregar uma legião de pessoas numa mesma comunhão, mas sem obrigatoriedade de uma regência disciplinadora.
Jesus manifestava-se em todos os lugares, confabulava com líderes de todos os sistemas de crenças nos países por onde andou, e também falava nas sinagogas e no grande templo, mas nunca desejou fundar uma igreja, embora tenha sido insistentemente convidado para isso. Seu sentido de igreja era o seu ministério, que era a pedra angular de seu propósito terreno e que constituía o seu derradeiro ato sacrificial para alcançar a experiência que lhe faltava e que o guindaria à majestade e à soberania que agora possui.
Uma religião superlativa é aquela que leva ao discernimento da verdade, e esta pode ser sintetizada pelo entendimento de que somos progênie do Pai Universal e, portanto, uma grande irmandade. Uma religião é boa quando capacita o homem a amar - a Deus e aos coirmãos; é boa quando amplia o padrão moral do indivíduo e exalta nele os atributos de bondade e retidão e o faz altruísta e generoso, capaz de não odiar os semelhantes e nem fazer discriminação entre eles.
Uma religião genuína edifica o homem e afasta-o da ganância, da inveja, da injustiça e da maledicência; desperta-o para a espiritualidade e para uma ampliada cosmovisão, fazendo-o sabedor de que trilha por um caminho de contínua evolução; e conduz as criaturas à ascensão e a descobrir os mais elevados valores espirituais.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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