A cada dia vemos aumentar a inserção do sexo na TV e, ao mesmo tempo, crescer a preocupação de pais e educadores a este respeito. É necessário que se reflita sobre este fenômeno e sobre as medidas que podem ser adotadas para limitar este tipo de exposição de modo a amenizar os seus efeitos negativos.
Assistir, frequentemente, a programas de TV nos quais o sexo é banalizado e vem em altas doses, erotiza precocemente garotas e garotos. A TV, com suas novelas, programas de entretenimento, propagandas e filmes, transmite valores que se chocam com aqueles que os pais procuram desenvolver nos filhos.
Nesses programas, geralmente, valoriza-se: o sexo casual, ou seja, no primeiro encontro, o casal vai direto para cama, sem antes desenvolver um período de conhecimento e aproximação afetiva; o sexo extraconjugal e a promiscuidade; a atração e a beleza física, em detrimento do caráter; a superficialidade nos relacionamentos, como quando um casal envolvido seriamente, já casado, ou não, devido a algum desentendimento, separa-se e, rapidamente, se envolve com outro parceiro/a.
Além disso, a partir das tramas das novelas e filmes, os adolescentes depreendem que, para fazer sexo, não é necessário haver planejamento nem adotar métodos seguros de prevenção, tanto de gravidez quanto de doenças sexualmente transmissíveis (DST).
Isso tudo pode influenciar negativamente a formação de crianças e jovens, caso não tenham oportunidades de diálogo em casa e se pais e educadores não os ensinarem a selecionar programas e a ver, criticamente, o que ouvem e veem.
Quando se trata de crianças e pré-adolescentes, é importante que os pais estabeleçam horários para que estes assistam a programas de TV e definam o que eles podem assistir. Ao conversar sobre como foi o dia da criança, os pais devem perguntar o que ela assistiu, o que achou do que viu, ouvindo a opinião, de modo a ajudá-la a ver que os modelos e as normas, muitas vezes, são um engodo.
É fundamental, também, que os pais ofereçam opções de lazer e orientem a criança para atividades formativas, como a leitura de boas obras de literatura, a possibilidade de ver bons filmes, de apreciar boa música e de se dedicar à arte e ao esporte.
Na escola, a oportunidade que se tem de reunir grupos de alunos de faixa etária aproximada favorece discussões e debates sobre tudo o que se ouve e se assiste. Debater leva a aprender a pensar, o que é fundamental na Educação Sexual.
Não podemos desconsiderar o fato de que, apesar das influências negativas, a televisão tem contribuído para demonstrar que o sexo é um assunto do qual se pode falar e tem trazido questões do cotidiano para serem pensadas, como por exemplo, diversidade sexual, gravidez na adolescência, inseminação artificial, possibilidade de vida amorosa e sexual das pessoas com deficiência física, relações de gênero e direito da mulher ao prazer sexual, etc.
Muitas vezes, as novelas trazem cenas de relacionamento afetuoso, com demonstrações de beijos e abraços entre pais e filhos, coisa que a geração passada pouco vivenciou. Desta forma, a TV tem aberto canais de comunicação, o que difere muito, do século passado, marcado pela vergonha diante do tema sexo e pelo silêncio e ausência de diálogo em casa e na escola.

MARY NEIDE DAMICO FIGUEIRÓ é psicóloga, doutora em Educação e docente aposentada da Universidade Estadual de Londrina

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