Muitas vezes me espanta a falta de comprometimento com a importância de investimentos em infraestrutura em nosso país. Isso porque um estudo encomendado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) mostrou que a violência nas rodovias federais do País custou ao Estado e à sociedade cerca de R$ 8,5 bilhões em 2009 - o equivalente a R$ 53,4 mil por acidente. Somente em 2011 esta violência foi responsável por 7,6 mil mortes.
  O cálculo do valor levou em consideração diversos aspectos, como danos materiais, físicos e emocionais, gastos com socorro médico, perda de rendimentos futuros com a morte ou invalidez da vítima e até prejuízos com congestionamentos.
  No entanto, este não é o único dado que precisa de atenção. O custo total com acidentes nas BRs apontado pela pesquisa é, por exemplo, 12 vezes maior do que o orçamento do Fundo Nacional de Segurança e Educação no Trânsito (Funset) no ano passado, que foi de R$ 690,9 milhões. Entretanto, um balanço da ong Contas Abertas mostrou que apenas R$ 194,9 milhões do Funset foram aplicados em 2011, o que equivale a apenas 2% do custo da violência no trânsito estimado pelo estudo do Dnit.
  Ora, se tinha o dinheiro, porque ele não foi aplicado? Alguns engenheiros apontam que o custo da duplicação de cada quilômetro de rodovia pronto, incluindo a sinalização, seria de R$ 1,1 milhão. Então a matemática é simples: somente com o que não foi utilizado do orçamento do Funset daria para duplicar 450 quilômetros de estradas brasileiras por ano.
  Mas, infelizmente, o Brasil é um país em que a frase ‘‘é melhor prevenir do que remediar’’ é deixada de lado. Não seria mais viável investir em infraestrutura, duplicando as rodovias ou fazendo obras em locais críticos, diminuindo consideravelmente o risco de acidentes? Parece que a conta dos nossos representantes está errada.
  Claro que a imprudência e a desatenção dos motoristas também são causa dos acidentes. Mas o que estamos levantando aqui é que em condições viárias melhores e mais bem preparadas os acidentes tendem a diminuir, os estragos com eles podem ser significativamente menores e pode sobrar mais dinheiro para outros investimentos.
  A pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) sobre as rodovias realizada em 2011 mostrou que a quantidade de estradas consideradas ruins ou péssimas subiu de 25,4% para 26,9% em relação à pesquisa de 2010. Na mesma comparação, os trechos ótimos caíram de 14,7% para 12,6%.
  O resultado é claro: ou os governantes olham com mais atenção para estes números ou continuaremos vivenciando a falta de estrutura logística do Brasil e, segundo noticiou a própria Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), podemos estar cada vez mais próximos de um apagão logístico. Pior, continuaremos trafegando por estradas que não são seguras e torcendo para conseguirmos chegar ao destino com segurança.
  Infelizmente, pelo segundo ano consecutivo, o Brasil ficou em último lugar em um ranking internacional sobre o retorno que os cidadãos obtêm para os impostos que eles pagam. Em média, 35% da riqueza produzida no Brasil vai parar nas mãos do governo. Porém, continuamos a, nem de perto, ver o retorno desta dinheirama.
  Só gostaria de saber até quando estes números vão ser noticiados e as ações necessárias negligenciadas. Mas fica difícil achar resposta para este questionamento.
GILBERTO ANTONIO CANTÚ é presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Paraná (Setcepar).

- Os artigos devem conter dados do autor e ter no máximo 3.800 caracteres (55 linhas) e no mínimo 1.600 caracteres (25 linhas). Os artigos publicados não refletem necessariamente a opinião do jornal. E-mail: [email protected]

mockup