O Paraná moderno teve na cafeicultura o verdadeiro motor econômico do seu desenvolvimento. A partir do Norte do Paraná, espalhou-se por centenas de municípios, gerando riqueza a mão cheia. Infelizmente, a ''grande geada'' de 1975 iria definir o futuro do café, em franca diminuição nas terras paranaenses.
A sua erradicação e substituição por outras culturas, predominantemente a soja, a pecuária, a cana-de-açúcar e outras variedades, iriam plasmar uma nova realidade econômica. Outros Estados, a exemplo de São Paulo e Minas Gerais, produtores tradicionais de café, ampliariam o seu plantio, agora em companhia do Espírito Santo e da Bahia.
A riqueza gerada pela cafeicultura foi deslocada para outros centros. Ela continua sendo fundamental para a economia brasileira. A Associação de Comércio Exterior do Brasil, no seu relatório do final de 2011, acaba de oficializar essa realidade: em 2001, o café estava sendo vendido a US$ 964 a tonelada, gerando receita de US$ 1,2 bilhão. No ano passado, a tonelada foi vendida por US$ 4.463, gerando mais de US$ 8 bilhões. Comparativamente, a soja, em igual período, era vendida a US$ 173, com a tonelada passando para US$ 495.
A drástica redução da cafeicultura paranaense foi fruto da falta de visão estratégica dos seus governantes na década de 70. A pequena e média propriedades foram sendo eliminadas e substituídas pelas grandes áreas extensivas.
A migração para as áreas urbanas foi consequência, gerando o ''inchaço'' das periferias. O empobrecimento regional é hoje realidade concreta e objetiva. O IBGE e o Ipea acabam de radiografar com números chocantes a evolução da economia paranaense por quase quatro décadas. A participação do Produto Interno Bruto (PIB) vem se refletindo na brutal concentração econômica da riqueza estadual.
Em 1970, o Norte do Paraná representava 19,3% do PIB, caindo para 15,6% em 2008. A Região Metropolitana de Curitiba, de 30,8%, saltou para 47%. Somente o Oeste do Paraná viu sua participação crescer, de 8,1% para 12%. Nas demais regiões, o panorama é desolador: o Noroeste, de 7,5%, caiu para 3,9%; o Sudoeste, de 4,3% para 3,5%; o Norte Pioneiro, de 7,7% para 3,2%; o Centro-Sul, de 5,8% para 3,8%; o Centro-Ocidental, de 4,6% para 2,7%; e a Região Sudeste de 5,8% para 2,3%. Os números demonstram que a riqueza paranaense vem ganhando velocidade e se concentrando em uma única região.
Nos últimos 20 anos, com a implantação da indústria automobilística e grandes empresas na região metropolitana, a dinâmica da economia paranaense passou a ter um único polo, responsável por quase 50% do PIB estadual.
Recentemente, na Folha de Londrina, na seção Opinião do Leitor, o professor universitário Evanil Antonio Guarido sintetizou: ''A Londrina que conheci criança era bela, imponente, orgulhosa de seu destino e de seus filhos. Daqui saíram pessoas notáveis que não necessitam que as nomine, pois foram grandes por si só. Jovem, já era a terceira cidade do Sul do País. Traída por malabaristas que a usaram e a usam como trampolim político, hoje patina como quarta cidade em número de habitantes, mas muito abaixo quando confrontada com o IDH de outras cidades.''
Acorda, Londrina, do seu sonho letárgico!
EDSON GRADIA é ex-vereador em Londrina e ex-secretário de Estado do Esporte e Turismo.

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