O Brasil agora é a sexta economia mundial. Esta foi a grande manchete econômica de dezembro de 2011. Parabéns ao nosso país, mas e daí? O que isto de fato representa para a população brasileira?
Essa ótima posição no ''ranking mundial'' foi alcançada basicamente por dois motivos. Em primeiro lugar, porque vários países da Europa tiveram uma série de problemas econômicos e não tiveram crescimento, ou seja, os países que estavam nos primeiros lugares não tiveram crescimento e sim um encolhimento de suas economias. Em segundo lugar, muitos países do bloco dos ''em desenvolvimento'', como China e Rússia, conseguiram manter seu ritmo de crescimento, apesar da crise mundial e o Brasil, como grande fornecedor de matéria prima e alimentos, conseguiu pegar carona neste crescimento.
Resumindo, atingimos o tal do sexto lugar porque alguns países caíram e porque continuamos a fazer exatamente o mesmo, exportar matéria prima e alimentos para o mundo. Crescemos, mas ainda não conseguimos atingir o nível de desenvolvimento de países com PIB menores que o nosso, como Canadá, Inglaterra ou mesmo a Itália, que apresentam renda per capita muito maior que a brasileira.
A grande diferença é que o ''crescimento econômico'' favorece somente alguns poucos setores, como o governo, que arrecada cada vez mais impostos e alguns grandes grupos, que exploram estes segmentos. Para o resto do povo brasileiro sobra a 84º posição mundial no índice de desenvolvimento humano (IDH). Este índice, calculado em 2011 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), mostra o abismo que existe entre o povo brasileiro e sua imponente economia.
Essa realidade, infelizmente, ainda esta longe de mudar. Somos um país muito rico, mas com um povo muito pobre. Essa pobreza não é somente no sentido financeiro, mas também na falta de infraestrutura (boa parte do povo brasileiro não conta com estradas decentes); na falta de educação de qualidade (boa parte das escolas públicas apenas distribuem diplomas às pessoas semialfabetizadas); na falta de saúde (muitos municípios brasileiros não contam nem mesmo com uma unidade básica de saúde e muito menos um hospital).
É verdade que nosso país melhorou em alguns aspectos, mas ainda falta muito para que nosso desenvolvimento social se aproxime do crescimento econômico. Seria ótimo se essa sexta posição na economia tivesse sido atingida pela exportação de produtos manufaturados, tecnologia, turismo e outras atividades que geram e que distribuem riquezas. Exportar soja, açúcar, carne, minérios e outras commodities é importante e ajuda, mas são atividades que não geram empregos com maiores salários e pouco contribuem para o desenvolvimento tecnológico do nosso país.
Um outro exemplo, a frota de automóveis dobrou nos últimos 10 anos; isto é crescimento. A quantidade de vítimas, mortes e gastos com acidentes de trânsito mais que dobrou no mesmo período, isto é falta de desenvolvimento. Precisamos é subir no ranking da educação, como fez a Coreia do Sul, um bom exemplo de país que está se desenvolvendo. Precisamos é melhorar nosso ranking mundial na saúde, na segurança e na assistência social. Falta dinheiro para isto acontecer? Na verdade, o que o Brasil tem são graves problemas de gestão dos recursos públicos. Por exemplo, gastamos muito na formação de universitários enquanto alunos saem do Ensino Médio sem conhecimento suficiente de matemática, português, redação e interpretação de textos.
Nosso país tem recursos naturais em abundância, mas o povo brasileiro também tem um grande potencial e que precisa ser desenvolvido, o que realmente vai garantir a sustentabilidade de nossa economia. Crescemos, mas agora já está na hora do nosso país começar a se desenvolver também.
DENILSON VIEIRA NOVAES é engenheiro, especialista em Gestão Pública e servidor público em Londrina

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