ESPAÇO ABERTO
Educação x salário
Andre Luis Goulart
A matéria ''Recém-formados são maioria em concurso'' (Geral, 9/1) chamou minha atenção. A notícia era sobre o processo seletivo para a contratação de 18 médicos para a Secretaria de Saúde de Londrina. Os candidatos disputavam vagas para 20 horas/semanais de trabalho com salário de R$ 3.058,68 ou até 40 horas com vencimentos de R$ 6.676,90. Pelo visto, o salário oferecido é pouco porque houve somente 37 inscritos.
Em toda abertura de editais de concurso sempre me deparo com salários até atraentes, quando se fala das áreas de saúde, jurídica, engenharia, entre outras. Quando é aberto na área da educação aí se estampa a vergonha: o salário inicial por 20 horas é R$ 874,03, um disparate muito grande.
Dias atrás ouvi de um certo político que o professor segue na carreira por amor e não pelo salário. Sabemos prontamente que a única carreira que nem precisa de professor é exatamente a de político. Inclusive analfabetos funcionais exercem a função livremente no País. Uma vergonha nacional.
A carreira do magistério está sendo dizimada aos poucos, principalmente na área científica, onde pouco é investido pelo governo. Parece até um absurdo, mas houve melhora significativa nos últimos dez anos na área da educação. Isso devido à luta constante exercida por nossos sindicatos. Agora, imaginem então como era antes? Algo está errado neste país, temos que unir forças e acabarmos com este conformismo.
ANDRÉ LUIS GOULART é professor em Londrina
Os nossos fardos e propósitos
Walmor Macarini
Cada qual vive sua própria realidade, e se a do nosso semelhante é dura, devemos ajudá-lo a transpor essa travessia ou que a faça da forma mais leve possível. Os percalços de seu caminho são os fardos que lhe cabe carregar nessa experimentação terrena - a realidade dele -, mas ajudá-lo nessa caminhada é a nossa realidade. Se algo de pior acontece a uma pessoa ou um grupo de pessoas, essas são vivenciações pelas quais elas têm (ou teriam) de passar, mas buscar evitar isso, até onde possível, ou ter de socorre-las, é a parte que nos cabe. Não por acaso estamos juntos neste planeta.
Quando aqui desembarcamos trouxemos carmas e darmas. O primeiro não é necessariamente coisa ruim e sim a bagagem dos nossos débitos e créditos; e o darma quer dizer os nossos propósitos. Cumprir esses propósitos é do nosso livre-arbítrio, mas devemos saber que a decisão é apenas nossa e que, em princípio, nenhum poder superior interfere. Por isso o livre decidir é ao mesmo tempo uma dádiva do Criador e uma responsabilidade.
A vida desconfortável de um mendigo ou de alguém doente ou com deficiência é a realidade dessas pessoas, mas o dever dos que estão em melhores condições é auxiliá-los e tornar mais amena sua árdua trajetória. E nunca devemos ajudar de forma que os humilhe. Assim com o alcoólatra, com o viciado em drogas, porque se eles ingressaram nesse universo sombrio, induzidos ou por vontade própria, agora têm dificuldade em sair dele, e precisam de ajuda. Melhor do que a condição de ter de pedir é a de poder dar.
Todos nós carregamos propósitos de auxílio e de fraternidade (este o aspecto da nossa divindade, herança de Deus, embora às vezes obscurecida), então é a ocasião de fazermos aflorar esses atributos. As coisas desagradáveis que nos rodeiam, neste laboratório terreno, são provações pelas quais temos de passar. É bom saber que aqui estamos por própria escolha, feita antes de aportarmos nesta dimensão, para dar andamento a nossa marcha evolucionária. Porque não somos de agora.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina
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