A festa dos Reis Magos chama-se epifania que quer dizer manifestação. O Menino atraiu reis que são sábios, magos e pagãos. A luz de Jesus chegou além das fronteiras de Israel. ''Ele é a luz das nações.'' Jesus tem algo a dizer a todos os povos e religiões, sua pessoa e sua mensagem são construtivas, positivas e necessárias para o bem do mundo, a elevação dos povos, a construção de uma sociedade justa. Ele veio para o soerguimento de todos. A epifania nos convoca levar a luz de Jesus até os confins da terra.
Já na noite de Natal os anjos cantaram que Jesus traz a paz para todos. Os Reis Magos simbolizam os homens de poder que encontram em Jesus o poder-serviço, o poder acoplado à simplicidade, o poder-doação. Eles representam os homens de ciência, que sem a ''soberba filosófica'' procuram a verdade e a ela aderem. Abriram-se à dimensão religiosa, superando o paganismo e o abandono de Deus. Livraram-se do ''envenenamento da cultura ateia''. Os Magos são conhecedores dos astros, mas, abandonam a magia e sua luz é Jesus. Libertam-se da escravidão do destino, da feitiçaria, do horóscopo, coisas que oprimem e alienam. Não somos guiados pelo acaso, nem pelo cálculo, nem pelos astros. Estamos sob os cuidados amorosos do Pai, da Providência Divina.
A trajetória dos Magos até ao encontro do Menino, oferece-nos uma pedagogia da procura de Deus por parte do homem. Eles saem de casa, deixam suas seguranças, certezas, acomodações e se põem a caminho. São peregrinos, caminhantes, pessoas em êxodo, seduzidos pela verdade. No caminho procuram informações, indagações, orientações. Não se contentam mais com a mesmice, a mediocridade, a superficialidade. Sentem-se cativados pela nova luz e abrem as portas da mente e do coração a Jesus.
Esses homens passam pela experiência da escuridão, das trevas, da dúvida, da noite escura, mas não desistem. São fiéis na provação e perseveram. São fortes nas dificuldades e, por isso, encontram o Menino. Os Magos e Herodes simbolizam a realidade que experimentamos em todas as coisas: luz e trevas, bem e mal, verdade e mentira, vida e morte, dor e alegria. Herodes não os convence nem vence Jesus. Eles perceberam a diferença entre o rei e o Menino, a diferença entre a morte e a vida, a perdição e a salvação, o poder e a pobreza.
Após as dificuldades, eles retomam o caminho. Assim é a vida. Precisamos sempre recomeçar. As coisas nos puxam para baixo, mas Deus puxa para o alto. É preciso a coragem de resistir, não render-se à ditadura da moda e das doenças coletivas do pensamento. A exclusão de Deus facilita a imposição da arbitrariedade, do individualismo, da perda do sentido. Caímos na colonização cultural do efêmero, do imediato, do domínio das sensações, da indiferença pelo outro. É preciso retomar o caminho, voltar e seguir Jesus.
A estrela parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ele é o sol, a luz, o fulgor, a irradiação. Na gruta os Magos tomam dez atitudes: reveem a estrela, que significa ver Jesus e ter olhos fixos Nele. Alegram-se com muita grande alegria. O cristianismo é a religião da alegria. Entram na casa. Não ficam de fora, decidem entrar e tornam-se íntimos amigos de Jesus. Viram a Mãe e o Menino, ou seja, percebem o encontro de Deus com a humanidade. Prostram-se, colocam-se de joelhos, pois a oração abre a mente e o coração. Adoram o Menino, rendem-se, confessam, testemunham que o Menino é o primeiro e o último. Abrem os cofres, porque antes abriram o coração e os olhos, abriram-se à verdade. Oferecem presentes que significam homenagem, gentileza, partilha, gratidão. O verdadeiro adorador se desapega dos bens e reparte.
Avisados em sonho, significa a ação da Providência Divina, a revelação interior, o instinto da fé, a inspiração do Espírito em seus corações. Voltam por outro caminho. Quem faz um verdadeiro encontro com Cristo, encontrou o rumo certo, a bússola, a rota e o verdadeiro caminho. Voltam transformados. Abandonam o caminho errado e seguem Aquele que é o caminho.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina

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