Os trade-offs do Ano Novo
Giovanna Migotto da Fonseca Galleli

Se eu pudesse desejar a um amigo algo de ordem bem prática, para 2012, diria: que você administre bem os seus trade-offs. A expressão inglesa não tem tradução literal para o português, é um dos princípios da economia e tem estado muito presente na retórica daqueles que vivem no ambiente de negócios. Poderia se dizer que trade-off diz respeito a situação conflitante que envolve a comparação de dois objetos ou objetivos, no momento de decidir sobre qual deles será preciso abrir mão para conquistar o outro.
A expressão faz-nos lembrar que, em uma decisão, sempre haverá ganhos e perdas. Se houver omissão, a decisão caberá a terceiros, daí, talvez, as perdas sejam ainda maiores. Vale como alerta! Alguns diriam que não estão nos níveis do poder decisório, o que seria uma situação confortável. Muitos acreditam que, ao nascermos, nos é dado o livre-arbítrio e com ele vêm os trade-offs. Como cidadãos, plenos de direitos e poderes, cabe-nos buscar que nossos representantes avaliem cada uma de suas decisões sob a luz dos trade-offs, para que mais pessoas saiam da linha de pobreza, da fila do SUS, das filas de transplante de órgãos ou da fila para conseguir uma vaga na melhor escola para o filho. Também cabe a nós decidir por um comportamento sustentável ou pela exploração desenfreada dos recursos que o Planeta oferece.
Como seres humanos, todos os dias, ao abrir os olhos, precisamos decidir se pularemos logo da cama ou se ficaremos um pouco mais, reprogramando a opção soneca no celular. Apenas nesta primeira decisão matinal daria para mencionar uma lista enorme de trade-offs. Para as mulheres modernas, mães e profissionais, uma segunda decisão seria caprichar na maquiagem ou tomar o café com os filhos, antes de sair para o trabalho. Infelizmente, conclui-se que não adianta fugir, haverá sempre ganhos e perdas. Cabe a nós pedirmos luz e inteligência para sabermos decidir pelo melhor, mais no coletivo do que no individual e mais no amanhã do que no hoje.
GIOVANNA MIGOTTO DA FONSECA GALLELI é relações públicas em Londrina

Já que o mundo vai acabar...
Walmor Macarini


Os maias nunca disseram que o mundo ia acabar em 2012, mas que haveria uma sincronização galáctica, com reflexos na Terra, transtornos e transformações. Isto já está acontecendo. Mas muitos acreditam que o mundo vai mesmo acabar. Então, por via das dúvidas e até por experimento, vamos - como outra vez já escrevi - abandonar ganâncias e mesquinharias, pois elas têm sido entraves em nossas vidas. Com elas, varrer também os egos inferiores, a competição e a maledicência.
Não sabemos se no lugar onde o destino nos levará existem flores e estrelas visíveis, então é bom aproveitar o tempo que nos resta e observar agora como elas nos sorriem. E atentar que à noite, depois de nos servir, o sol se põe em repouso e a lua chega para montar guarda e manter iluminados os nossos sonhos. Ver que nas manhãs há gotas de orvalho na relva do nosso jardim, qual diamantes encravados, e que logo eles se contraem para não ofuscar o brilho do astro-rei.
Não esqueçamos das promessas feitas e ainda não cumpridas. E tratemos de perdoar aqueles que nos molestaram, porque mesmo que isto nos custe, será um bom exercício de experimentação e um ato sacrificial de grande valia. Já é meio tarde para mudanças radicais, mas ainda há tempo. Vamos ouvir o murmúrio das águas, pois não sabemos se há riachos no lugar onde iremos pousar. Olhar as cores de todas as coisas e assim descobrir que o mundo é povoado de belezas que pouco havíamos notado, pois temos voltado os olhos mais para as coisas ruins.
Vamos nos mirar nas pessoas retas e puras, pois com certeza iremos precisar de virtudes idênticas em nós, na nossa próxima parada. E aprender, nestes meses que nos restam, a partilhar as coisas e eliminar tudo o que temos de pior, pois quem sabe no lugar para onde vamos isto seja prática comum e iremos chegar despreparados. Não podemos adentrar o lado de lá impregnados de vícios. E se, depois de tudo, o mundo não acabar, nós o teremos deixado tão lindo e maravilhoso e tão bom de se viver que não iremos querer que volte ao que era.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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