O verdadeiro conto de Natal

  Conheço vários contos de Natal inventados e românticos somente para comover os leitores. Conheço, porém, um conto de Natal que também foi inventado, mas que depois se tornou verdadeiro. Aconteceu numa escola. A diretora planejou fazer um auto de Natal para os pais, cujo teatro seria representado pelos próprios alunos. Foi difícil acertar qual dos alunos faria o papel de São José. Mais difícil ainda foi encontrar a atriz de Nossa Senhora. Havia muitos candidatos para os mais variados papéis. Uma das maiores dificuldades, entretanto, era o pedido insistente de um menino chamado Flávio, portador de necessidade especial, que desejava tomar parte ativa no teatro.
  Não por preconceito, mas por delicadeza diante da situação, a diretora não estava encontrando um papel que fosse de fácil execução e contentasse, de um lado, Flávio e, de outro, a plateia. Por fim, a diretora descobriu que Flávio poderia representar o papel de chefe da hospedaria de Belém e que diria apenas uma frase. Quando São José e Nossa Senhora batessem à porta, pedindo um lugar para eles, o hospedeiro Flávio deveria responder: ‘‘Está tudo lotado e não há mais nenhum lugar para vocês’’.
  No dia do teatro, chegou a hora tão esperada para a atuação de Flávio. São José bateu à porta e disse: ‘‘É noite, estamos viajando e precisamos de um lugar para Maria e para mim’’. E Flávio, segundo o ensaiado, repetiu: ‘‘Está tudo lotado e não há mais nenhum lugar para vocês’’. São José disse: ‘‘E agora Maria? Já é noite, você está precisando descansar e o homem disse que está tudo lotado. Eu não sei mais para onde ir’’. Foi então que, inesperadamente, o hospedeiro Flávio improvisou: ‘‘Se vocês não sabem para onde ir, eu tenho uma casa grande onde moro e vou levá-los para lᒒ. Surpresa, a plateia explodiu em aplausos diante da grandeza do coração de Flávio.
  A história real traz uma mensagem para cada um de nós neste Natal. Novamente Jesus Cristo não tem lugar para ficar, em tantas hospedarias, lares, estúdios de televisão e corações egoístas. Oxalá o artista Flávio nos ensine a repetir: ‘‘Eu tenho um coração grande e um lugar para Jesus e seu Evangelho’’.
DOM ALBANO CAVALLIN é arcebispo emérito de Londrina



Um modelo a seguir
Quando Jesus disse ''Eu sou o caminho'', não quis dizer literalmente que o seguíssemos e sim que ele era o exemplo, o modelo a seguir. Com essas palavras desejou que fizéssemos como ele. Conclamação semelhante emanou do Pai Universal quando exortou que fôssemos perfeitos como Ele era perfeito. Porque sabia que isto era possível, eis que foi Ele quem assim estabeleceu.
A busca da perfeição é a aventura suprema que podemos empreender, porque tudo nos atrai para Aquele que nos criou e que nos acenou para a possibilidade desse glorioso destino. Certos sistemas de crenças têm nos deixado entender, equivocadamente, que somos seres inferiores na escala da Criação, mas devemos saber que somos centelhas de Deus e fazemos parte da grande família universal, com a diferença apenas de que ainda nos encontramos na caminhada evolucionária. Cada um de nós é um ser magnificente aos olhos do Criador.
A passagem por este planeta de espessa densidade foi escolha nossa, porque aqui estamos para uma renovação. Mais um pouco e estaremos prontos. Nossos coirmãos das hierarquias mais elevadas nos assistem e nos auxiliam. Prestemos atenção aos impulsos intuitivos que, em dados momentos, nos enchem de fé e entusiasmo e movem profundamente nossa sensibilidade. É quando esses nossos amigos celestiais estão muito próximos de nós e nos sussurram. Assim como eles conosco, devemos também ficar próximos de nossos iguais terrenos, porque necessitamos, igualmente, uns dos outros.
Esta época de serenidade natalina - quando a tempestuosidade das mentes humanas se aquieta - nos induz à reflexão e à abertura da caixa onde estão guardados os nossos atributos mais sublimes. Deixemos que eles se libertem. Jesus - tão celebrado nestes dias de dezembro - não precisa que o exaltemos. Ele terá com certeza maior júbilo se seguirmos os seus ensinamentos e buscarmos fazer desta habitação planetária um lar de fraternidade. Porque só assim estaremos, de nossa vez, ajudando-o na obra de redenção terrena que ele almejou edificar e que ainda não está concluída.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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