O efeito Pigmaleão
Nessas últimas décadas diversos estudiosos pesquisaram a motivação humana, com destaque para Maslow, Herzberg, Vroom, McClelland, McGregor e Skinner. Acadêmicos que fizeram uso de diferentes abordagens e contribuíram imensamente para que o tema permanecesse em evidência tanto nos bancos universitários quanto nos escritórios empresariais.
Definir motivação não é uma tarefa simples, mas é possível compreendê-la como o conjunto de forças internas que mobilizam o indivíduo para atingir um dado objetivo ou meta como resposta a um estado de necessidade, carência ou desequilíbrio interno.
Portanto, a motivação advém do sentimento de insatisfação e da crença de que é possível chegar mais longe. Isto explica porque as pessoas altamente motivadas e focalizadas dirigem uma tremenda energia para seus propósitos, diferentemente de quem apenas é inspirado superficialmente por estímulos externos e passageiros.
A mitologia grega conta a saga de Pigmaleão, um exigente escultor que durante muitos anos dedicou-se a procurar aquilo que ele intitulava como o ''modelo feminino ideal'' e após fracassar durante sua busca, esculpiu em mármore a belíssima Galateia.
Como a estátua era praticamente perfeita e ele ainda estava decepcionado com as mulheres que conhecia, apaixonou-se pela mesma e após algum tempo começou a tratá-la como se fosse real, oferecendo-lhe elogios permanentes. Enternecida com o fato de vê-lo sofrer por não ter seu amor correspondido, a deusa Afrodite então tornou Galateia uma mulher real, com quem Pigmaleão pôde se casar e ter filhos.
Esta história serve para reforçar aquilo que o sociólogo americano Robert Merton intitulou como Profecia autorrealizadora, isto é, a capacidade que o ser humano tem de fazer com que suas crenças se tornem realidade. Numa linguagem bastante simples, seria algo como: se você define um objetivo, acredita que o alcançará e possui competência para tanto, cedo ou tarde certamente chegará lá!
Como todos sabem, este período do ano é muito propício para estabelecer planos e propósitos, entretanto é importante você avaliar desde já se realmente está disposto a dedicar-se para o alcance dos objetivos que pretende instituir para si.
Um exercício para tal reflexão é o ato de fazer um balanço acerca do nível de entrega pessoal e dos resultados alcançados em relação aos objetivos pactuados consigo próprio para este ano que está chegando ao fim. Você os realizou, faltou muita coisa para ser concretizada ou nem recorda aquilo que determinou meses atrás? Chegou a escrever suas metas no papel ou contentou-se por guardá-las na cabeça? Parou algumas vezes para reavaliar sua trajetória ou surpreendeu-se com o resultado agora no final do ano?
Quando a pessoa não sabe o que quer ou aquilo que realmente mobiliza o seu íntimo, dificilmente encontra terreno fértil para que brote uma verdadeira motivação que o impulsione a avançar. Neste caso, metas são estabelecidas, mas inexiste o comprometimento pessoal necessário, isto é, atitudes e comportamentos que fariam com que aqueles propósitos se tornassem realidade.
Nestes próximos dias não se pressione a definir metas com as quais pouco se empenhará em 2012. Em vez disto, busque autoconhecimento. Descubra onde estão suas maiores necessidades não satisfeitas, pois lá também residem suas motivações mais profundas. Este será o primeiro passo para que a sua estátua de mármore também ganhe vida.

WELLINGTON MOREIRA é palestrante e consultor empresarial em Londrina

mockup