ESPAÇO ABERTO
Emoções de fim de ano
Mais um ano que se vai e um novo que se aproxima. Apesar da passagem do ano ser algo marcado artificialmente pelo homem, é inegável que causa um tremendo alvoroço nas emoções que sentimos. No meu trabalho clínico vejo muitos pacientes angustiados com o fim do ano, vivendo um verdadeiro turbilhão emocional.
Muitos reclamam que a chegada do fim do ano traz lembranças tristes ao perceberem a passagem do tempo e ver que muitos sonhos e planos só ficaram na ilusão e não se tornaram realidade. Sentem uma perda por notarem que muitas vezes suas vidas não mudaram o quanto gostariam. Em resumo, sentem que fracassaram mais um ano.
Quem se encontra assim é preciso refletir bem para começar o ano novo de forma mais leve a fim de enfrentar as frustrações de uma maneira mais saudável e mais proveitosa. É bom usar essa mudança de ano para se pensar em como a vida foi vivida nesse ano que se passou. Você viveu ou simplesmente deixou o tempo passar, sem você se comprometer consigo próprio? Vale a pena responder essa pergunta para saber como você vem vivendo. Caso perceba que deixou o tempo passar sem fazer nada por você, precisa aprender a ser mais diligente com sua vida. Lembre-se que se você nada fizer, as coisas não vão mudar sozinhas.
Só que ser diligente e fazer planos exige que você seja realista, ou seja, que tenha os pés no chão e planeje coisas que você possa realmente conseguir. Não adianta nada desejar o impossível e esperar que ele aconteça só porque você assim quer. Viver assim é se frustrar. Então, aí está o primeiro passo: vai precisar se mexer para tornar o que deseja e seja possível realidade.
São muitas as pessoas que não acreditam na própria capacidade de fazerem as coisas acontecerem e a vida melhorar. Um dos piores entraves é a mente que duvida de si mesma e do potencial que carrega. Muitos acreditam que as coisas têm que lhes ser dadas e que sozinhos não podem conquistar nada, assim deixam tudo como está e viram vítimas.
SYLVIO DO AMARAL SCHREINER é psicólogo clínico en Londrina
Poder e responsabilidade das igrejas
As legiões de devotos são diferenciadas entre si, e cada qual alinha-se com a igreja onde se sente melhor e identifica-se com o pregador que mais facilmente consegue motivá-lo. Até certos tipos físicos e étnicos semelhantes têm uma tendência de agrupar-se numa mesma comunidade religiosa. Parece então que, independente da fé, isto tem a ver também com afinidades de nivelamento social e cultural.
Deus não faz tais distinções, mas aqui nesta profundeza dimensional terrena os sistemas de crenças ainda se dividem em corporações, em muitos casos antagônicas umas às outras, numa indisfarçável corrida de hegemonia e dominação. Está longe, portanto, o ideal de unificação das religiões, no sentido de um só entendimento acerca das verdades e desígnios divinos e das razões comuns de nossa vivência neste planeta.
Sim, até agora não houve caminho melhor senão o das religiões para manter no homem a crença num poder divino superior, mas o alcance pleno da espiritualidade está ainda distante. A religiosidade o mantém atrelado à igreja, enquanto a espiritualidade o envolve na gravitação das dimensões celestiais. A pobreza espiritual é ainda grande, mesmo com os templos cheios e as vozes tonitruantes dos pregadores ecoando dentro dos lares por via da mídia eletrônica.
Diferente da religiosidade - que é dogmática, segundo cada doutrina - a espiritualidade nos introduz, espontanea e imperceptivelmente, nos universos da fraternidade, do altruísmo, do compartilhamento, da generosidade, da corresponsabilidade, sem maledicência, sem rancores e sem disputas predadoras. Salvo exceções já bem distintas, as igrejas - elas que detêm grande poder de influência e, por isso, com maior responsabilidade - fariam bem em rever certos conceitos e reavivar nos fieis, tanto quanto as questões da fé, aqueles valores mais elevados do comportamento humano. Deus com certeza se agradaria muito com disso.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





