ESPAÇO ABERTO
A República dos Sindicatos
Nos últimos anos temos visto no Brasil várias transformações. Algumas para melhor e outras nem tanto. E uma delas que mais chama a atenção é a patrocinada pelo então governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mantida, até o momento, pela presidente Dilma Rousseff.
É a República dos Sindicatos. Uma República que cresce a olhos vistos e que parece ter leis próprias que não necessariamente condizem com aquelas respeitadas pela maioria dos brasileiros.
Uma Organização Não Governamental (ONG) precisa prestar contas sobre os valores recebidos do governo. Prefeituras, governos estaduais e o federal são obrigados a prestar contas ao Tribunal de Contas. Os sindicatos não. Só devem explicações, pasmem, a eles mesmos.
Não há lei que os obrigue a esclarecer onde empregam o dinheiro recebido de mão beijada do governo, arrecadado pela contribuição sindical. E não é pouco dinheiro. Em 2012 o repasse será de aproximadamente R$ 2 bilhões.
A divisão é a seguinte: 60% ficam com os sindicatos, 15% com as federações, 5% com as confederações, 10% com as centrais sindicais e 10% com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) - sendo que o MTE, do enrolado ministro Carlos Luppi, usa apenas 5% do que lhe cabe, para treinamento de mão de obra qualificada.
As centrais sindicais como a CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST e CGTB levam parcelas consideráveis desse bolo. A CUT, ligada ao Partido dos Trabalhadores, receberá em 2011 R$ 31,9 milhões. A Força Sindical ficará com R$ 28,9 milhões.
E é atrás desta mina de ouro que prolifera a criação de novas denominações sindicais. Hoje estão registradas no Ministério do Trabalho perto de 10 mil entidades sindicais. Uma boa parte delas sem qualquer representatividade no meio que diz representar.
O Brasil criou uma casta intocável de sindicalistas profissionais que se perpetuam no poder. E o que vemos é que, na ''defesa'' dos interesses dos trabalhadores, provocam exatamente o efeito contrário. Nos países desenvolvidos, que costumamos chamar de primeiro mundo, as leis trabalhistas são flexíveis e o custo da folha de pagamento é infinitamente menor do que no Brasil. Aqui temos situações absurdas como a de ter que pagar uma multa de 50% sobre o valor do Fundo de Garantia depositado quando da demissão de um funcionário. Nenhuma empresa gosta de demitir. Ao contrário, se a economia permite, está sempre disposta a contratar para aumentar sua produção.
E o que fazem as centrais sindicais? Não só barram qualquer iniciativa de melhorar as relações de trabalho e de empregabilidade, mas pressionam por mais e mais benefícios numa tática suicida que colabora para o fechamento de empresas e, em consequência, demissão de funcionários.
No nosso Brasil sindicalista, a correlação de forças está desigual. É preocupante o que vem por aí. Nos últimos meses temos visto que vários países da Europa, consumidores de produtos brasileiros, estão em crise. É uma crise que está longe de terminar e, obviamente, afetará a economia brasileira.
Se as empresas não tiverem fôlego para enfrentar a crise, teremos sérios problemas pela frente. E a República dos Sindicalistas, com o apoio do próprio governo federal, em nada colabora para que não cheguemos a este ponto.
VALTER ORSI é presidente do Sindimetal Londrina





