A polêmica do Bosque
Quem tem lido a Folha de Londrina nestes últimos dias pode ficar com a impressão de que há uma revolta geral contra a reabertura da Rua Piauí, no trecho que atravessa o Bosque. É uma impressão falsa. Pelo menos dentre as pessoas de meu convívio a maioria tem se manifestado a favor da reabertura daquela via. E penso que se for feita uma pesquisa a respeito o resultado será no mesmo sentido. Não que eu seja um defensor ferrenho da reabertura, porém os que são contrários estão exagerando em suas manifestações, a ponto de até ter sido declarada a morte em dobro do Bosque.
No geral, os argumentos apresentados são um tanto falaciosos, a começar pela alegação de que o local será dividido. Não é verdade. O Bosque sempre foi dividido pela Rua Piauí, mesmo após o fechamento daquele trecho para o trânsito de veículos. O que aconteceu foi que a prefeitura resolveu, em determinado momento, destinar o espaço fechado da rua para uso exclusivo dos pedestres, além de uma pequena área para lazer conhecida como ''Zerinho''. E antes, por algum tempo, o mesmo espaço foi utilizado como terminal dos ônibus urbanos.
Outro argumento que não procede é o de que árvores nativas estão sendo destruídas com a reabertura. Se antes era rua, com tráfego de veículos, não poderia haver árvores no espaço. Aquelas que hoje existem foram todas plantadas após o fechamento da rua.
Também não é verdadeira a alegação de impacto ambiental em razão da movimentação dos veículos no trecho a ser reaberto. Basta ver que hoje os veículos rodam em torno de cinco quarteirões a mais, em volta do Bosque, para perfazer o mesmo percurso correspondente ao trecho interditado da Rua Piauí. Há de se convir que o impacto da movimentação de veículos em cinco quarteirões é bem maior do que se fosse em apenas um.
Já houve quem dissesse que a mudança está favorecendo a máquina em detrimento do ser humano. Mas máquinas não pensam, apenas obedecem a comandos. O favorecido, no caso, é o condutor do veículo, que também é cidadão no exercício de seu direito de ir e vir, utilizando-se do melhor meio de transporte de que dispõe. Poderia utilizar outro meio de transporte? Poderia, se morasse em Nova York, Paris ou Londres, onde o serviço de transporte coletivo, especialmente o metrô, atende plenamente às necessidades dos usuários. Porém, no Brasil nem mesmo São Paulo dispõe de alternativas eficientes ao uso do carro, já que o seu metrô ainda não contemplou todas as regiões daquela metrópole.
Nós vivemos em Londrina, onde não há metrô. Se nas horas de pico já é difícil se movimentar com um automóvel, que conta com a vantagem de procurar vias alternativas, imaginem o cidadão dentro de um ônibus lotado que é obrigado e seguir sua rota preestabelecida? Também é preciso ter em mente que muitos, por necessidade profissional, são obrigados a utilizar veículo próprio no dia a dia.
Certa ocasião ouvi o saudoso ex-prefeito Antônio Fernandes Sobrinho dizer: ''É preciso transigir para progredir''. O prefeito Barbosa Neto está certo em procurar alternativas para melhorar o trânsito de nossa cidade. Já tomou algumas medidas que estão dando certo, como as vias exclusivas para ônibus. Vamos deixar a intransigência de lado e dar um voto de confiança na pretendida alteração naquele trecho do Bosque. Se o tempo mostrar que a mudança não trouxe resultado positivo, não tem problema, basta cercar o trecho novamente e plantar outras árvores no local.

ANTÔNIO FERREIRA DOS SANTOS é advogado e contador em Londrina

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