ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de novembro de 2011
Luís Miguel Luzio dos Santos 
Este mês saiu a mais nova listagem do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), indicador da ONU que busca medir a qualidade de vida de uma população. Ainda que este não consiga captar por inteiro o bem-estar auferido por um país ou região, traz informações importantes para avaliarmos os rumos a seguir em termos de desenvolvimento socioeconômico. Embora sejamos a 7 maior economia do mundo, ocupamos a vergonhosa 84 colocação em IDH, numa listagem de 187 países, o que demonstra o descaso e a incapacidade em transformarmos riqueza em bem-estar social para a grande maioria da população.
O IDH varia de 0 a 1, quanto mais próximo de 1, melhor a posição do país. Em 1980 o IDH brasileiro era de 0,549, em 2000 ascendeu para 0,665 e atualmente encontra-se em 0,718. Ainda que os avanços sejam visíveis, temos muito a aprender com os países que repetidamente alcançam as melhores posições, destacadamente as nações nórdicas e, em especial, a Noruega que ocupa mais uma vez a primeira colocação com um índice de 0,943. O País mantém um modelo de Estado de bem-estar social, viabilizado por uma alta carga tributária, próximo a 50% do PIB, o que permite serviços públicos universalizados e de excelente qualidade, a ponto de dispensar muitas das alternativas privadas. Porém, tudo isso só é conseguido com os menores índices de corrupção do mundo e forte participação cívica da população.
Quando se analisa a evolução do IDH na América Latina, dois países vem-se destacando nos últimos anos: Cuba que subiu 10 posições de 2006 a 2011, passando para o 51º lugar e a Venezuela que ascendeu 7 posições alcançando a 73 colocação. Por outro lado, nos países da África subsaariana concentram-se os dez piores resultados, com destaque para a República Democrática do Congo com o menor IDH do mundo (0,286).
Ao nos voltarmos para a realidade brasileira e para buscarmos entender as razões de uma colocação muito abaixo das nossas potencialidades, precisamos analisar os elementos integrantes do próprio índice. Nessa perspectiva, percebe-se que o nosso maior gargalo encontra-se na área de educação, sendo que possuímos uma escolaridade média de apenas 7,2 anos, ainda que na década de 1990 não passasse de 5 anos, continuamos muito abaixo do desejável, considerando que a média mundial encontra-se em 7,4 anos e que nos países mais desenvolvidos esse número é quase o dobro, destacadamente Coreia do Sul com 14 anos e a Noruega 12,6 anos.
A expectativa de vida é o indicador em que mais avançamos e encontra-se atualmente em 73,5 anos, ante os 62,6 anos de 1980. A evolução se deve à redução da mortalidade infantil, em virtude da melhoria e extensão dos serviços de saúde. Em 1990 a mortalidade infantil era de 52,04 mortes por mil nascimentos, em 2010 conseguimos reduzir esse numero para 19,88 mortes por mil. Porém, ainda possuímos mais de metade das moradias sem saneamento básico, o que contribui para índices muito além do aceitável, comparando com países como Noruega, Suécia e Portugal em que a mortalidade infantil não passa de 4 mortes por mil nascimentos.
A renda per capita é outro componente no cálculo do IDH e no caso brasileiro encontra-se atualmente em US$ 10.162 (ajustados pelo poder de compra), um razoável salto quando comparado ao de 2000 que computava US$ 3.430. Parece haver boas razões para se acreditar em avanços maiores nos próximos anos levando em conta as expectativas de um crescimento econômico consistente e a redução significativa da natalidade, o que impulsiona a renda per capita. Porém, se não se acentuarem os mecanismos de distribuição de renda aliados a uma verdadeira revolução na qualidade da educação, continuaremos a nos envergonhar diante do mundo sempre que é divulgado um novo IDH.
LUÍS MIGUEL LUZIO DOS SANTOS é doutor em Ciências Sociais e professor do departamento de Administração da Universidade Estadual de Londrina
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