O futuro dos tablets
O governo da Índia está lançando o Aakash, tablet considerado o mais barato do mundo. Montado por uma empresa britânica, ao custo de 50 dólares para o Tesouro de Nova Delhi, será vendido com subsídios aos estudantes indianos, por 35 dólares. No mercado, custará 64 dólares. O equipamento deverá contemplar, inicialmente, 100 mil estudantes, mas, com a produção em massa, poderá ser ainda mais barato e beneficiar as classes de menor renda. A ideia é promover a inclusão digital das populações com menos acesso à informação.
No Brasil, existe a discussão da desoneração tributária para que empresas produtoras de tablets aqui se instalem e façam um produto customizado. Já existe movimentação no mercado internacional para redução dos preços do produto e distribuição nos diversos países.
Em estudo no Brasil, a venda de um equipamento básico de R$ 799 poderia chegar a R$ 550 aos consumidores, com a redução média do impacto tributário, ainda muito distante do equipamento produzido na Índia. O que será discutido daqui por diante serão os diferenciais de cada produto, pois o consumidor não busca somente o preço, mas também quer qualidade.
A intenção no Brasil é popularizar o tablet para que haja uma inclusão digital mais rápida no País, permitindo aos estudantes o acesso mais amplo à informação e assim uma socialização do aprendizado e do conhecimento. Somente esperamos que essa situação realmente beneficie os jovens de renda mais baixa, conferindo-lhes mais oportunidades de estudar, agregar conhecimento e desenvolver carreiras de sucesso.
REGINALDO GONÇALVES é coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina em São Paulo



Dos sentimentos de liberdade
Ser livre é não ater-se a ideias de liberdade, porque tal é algo inerente, como o ato de respirar, já que não se pensa na existência do ar. Porque se pensarmos com preocupação podemos morrer sufocados pelo temor de que ele nos falte. Concordar com o direito dos discordantes - embora não necessariamente com suas ideias - é uma manifestação de liberdade. Ser livre é ter firmeza na sustentação de um argumento e a humildade de acatar indicativos melhores, de outros. Saber ceder é uma postura de liberdade e autoridade.
Livre é o que, soberano em seu estado de liberdade, não se melindra com nada. É o que pode viver sem o aplauso, mas se o aplaudem aceita sem falsa modéstia. Livre é o que, amando, tem a liberdade de dizer que ama; e que, ante uma agressão, consegue transcender isso e perdoar. Ser livre é não aprisionar as próprias lágrimas; é não deixar-se dominar pelo egoísmo de negar o reconhecimento aos valores alheios. É livre quem, percebendo-se equivocado depois de tanto tempo acreditando estar certo, muda de rumo.
Ser livre é contemplar o Universo e compreender-se inserido nele. Livre é o que sabe que a vida é uma relação de interdependência; é o que não se aprisiona à armadilha da cobiça e da dominação. No caso das religiões, liberto é o que não fica submisso ao seu mentor eclesial e sim o que ouve e lê sobre todas as doutrinas. Livre é o que sabe silenciar quando preciso, mas que tem a coragem de rebelar-se ante a tirania e a injustiça e tem a bravura da desobediência civil e do brado de alerta e de mobilização ante as leis injustas. Porque a mudez acomodada é uma deserção e um aprisionamento às algemas da covardia.
Liberdade é um estado de responsabilidade e de harmonia interior, mesmo em meio às tribulações e ao ruído tempestuoso das multidões. Muitos estão limitados na amplidão da liberdade e outros se expandem nas limitações.

WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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