Grito de alerta na Gleba Palhano
Não pairam dúvidas de que a Gleba Palhano se está transformando numa selva de pedras. Ninguém duvida, também, que a vida no bairro será pior no correr dos próximos anos por força do natural crescimento da sua população e dos transtornos daí decorrentes. O que, sinceramente, ninguém deseja e espera, é que os transtornos normais do seu desenvolvimento sejam incrementados em benefício de algum ganancioso e inescrupuloso empresário.
Explico: na década de 1980, um grupo de investidores da cidade adquiriu uma área de 6.478,95 m2 na Gleba Palhano para construir um edifício residencial, onde iriam morar. Para autorizar o empreendimento, a Prefeitura exigiu a doação de uma faixa do terreno (7,50 x 150,50 metros, totalizando 1.128,75 m2), com a justificativa de que ali seria construída uma via pública com 15 metros de largura, considerando que metragem idêntica seria exigida do terreno contíguo. O edifício foi construído obedecendo, inclusive, a exigência de recuos laterais, de vez que a construção ficou anexa à projetada via pública.
A rua não foi ainda construída, supostamente porque faltou até esta data a doação dos restantes 7,50 metros, o que só se concretizaria na eventualidade de o terreno ser vendido ou de o seu proprietário requerer o alvará de licença para construir.
Dizem que gato escaldado tem medo até de água fria. Eu estou assim. As malfeitorias diariamente mostradas pela mídia e Londrina tem sido uma excelente fonte para esse noticiário, tem-me deixado desconfiado sobre as reais intenções de qualquer medida que o poder público possa tomar para ''melhorar'' a vida dos londrinenses.
Já temos a ''Lei da Muralha'' para provar que o que se busca, às vezes, não é o benefício de todos, mas de apenas alguns privilegiados, que conseguem mudar as regras do jogo, sabe-se lá com quais ''argumentos''. Posso equivocar-me nos meus julgamentos, pois errar é humano. Mas fico alerta, de vez que vivemos em tempos quando é preciso ver e ouvir o que não é mostrado. Os malfeitos são negociados na calada da noite, longe dos olhos e ouvidos do povo.
Talvez eu não saiba mais sobre os trâmites em curso relativos ao terreno em questão, porque as negociações poderiam estar ocorrendo às escondidas. O que sei é pouco e chegou como notícia ruim, assim meio clandestinamente. Sabe-se, sem confirmação, que o terreno já foi comercializado e que o novo proprietário tenciona erguer nessa área duas torres, onde só cabe uma. A segunda torre só seria possível caso o novo proprietário seja desobrigado a doar área idêntica à exigida dos proprietários do terreno anexo.
Mas com que argumentos ele conseguiria convencer as autoridades de plantão, de que a projetada via já não mais é necessária? Porventura defenderá a tese de que seria melhor deixar ali uma viela com os 7,50 metros já doados pelo vizinho, do que uma via pública de 15 metros; mesmo sabendo que viela, mais serve para esconder e dar fuga a bandidos, do que facilitar a mobilidade dos moradores do bairro?
Temos, ainda, outras dúvidas: se a transação comercial realmente ocorreu, não terá sido exigido do proprietário que vendeu, a doação dos 7,50 metros? Se assim foi, estaria o novo proprietário tentando reverter a doação em benefício próprio, servindo-se de ''argumentos'' que Londrina não pode conhecer? Como somos todos iguais perante a lei, não vislumbro argumentos capazes de justificar a alteração do que está estabelecido, para beneficiar o novo proprietário, ''desigual perante a lei'', já que ele estaria conseguindo o que teria sido negado ao proprietário anterior.
Os ditados populares são cheios de sabedoria e um deles nos ensina que não se deve mandar o canhão antes do sermão. É o que estamos fazendo. O grito de alerta antecede o grito de guerra, o qual será inevitável caso se concretizem as nossas desconfianças.

AMÉLIO DALL'AGNOL é engenheiro agrônomo e morador na Gleba Palhano em Londrina

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