ESPAÇO ABERTO
Denúncias sem fim
Infelizmente, as denúncias que envolvem o Ministério dos Transportes ainda não acabaram. Um levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) mostrou que o superfaturamento de obras é a irregularidade mais comumente encontrada nos projetos deste Ministério.
Depois de problemas de superfaturamento ou sobrepreço aparecem na documentação do Tribunal as falhas na fiscalização da execução dos empreendimentos, seguidas por projetos deficientes, fraude em licitação e problemas com liquidação e pagamento de serviços. Dos 2.144 casos com irregularidades auditados pelo TCU desde 2004, 1.568, ou seja, 73%, referem-se a esses cinco temas mais recorrentes. Entre eles, 553 são casos de superfaturamento ou sobrepreço de obra, o que significa 35% das cinco irregularidades mais comuns.
E os problemas nas estradas continuam. O ranking global de competitividade do Fórum Econômico Mundial também comprova este fato. Segundo o ranking, a qualidade da infraestrutura brasileira piorou em relação ao resto do mundo pelo segundo ano consecutivo. Desta vez o país despencou 20 posições, saltando de 84º para o 104º lugar. No ranking mundial, elaborado com base na opinião de cerca de 200 empresários nacionais e estrangeiros, a qualidade das estradas brasileiras caiu 13 posições e está entre as 25 piores estruturas dos 142 países analisados.
Enquanto isso, nossos governantes gastam tempo criando leis que não funcionam e, muitas vezes, acabam prejudicando ainda mais os brasileiros. E, desta forma, os problemas de infraestrutura se agravam e os investimentos diminuem. Assim, somos obrigados a conviver com estradas esburacadas, ferrovias deterioradas, portos congestionados e aeroportos operando no limite.
GILBERTO ANTONIO CANTU é presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas do Paraná (Setcepar)
Melhorar o mundo começa por nós
Não se pode melhorar os sistemas se não nos melhorarmos primeiro como pessoas. Também não se melhorará os governantes sem antes melhorar a sociedade, porque eles são substratos do meio social. Da mesma forma, não será apenas a educação (no sentido escolar) que produzirá pessoas melhores, mas uma sociedade melhor é que engendrará um melhor sistema educacional. São homens formados nas universidades que arquitetam as competições demolidoras e as guerras.
O homem, que é a partícula da estrutura social, não se tornará melhor por nenhum fator externo e sim a partir dele mesmo. Ocorre que a violência está instalada nas mentes humanas, bastando que se acenda um estopim para produzir-se uma explosão. As religiões, igualmente, não são um caminho seguro para se alcançar a paz da humanidade, porque foi o fundamentalismo religioso, ao longo da história, o responsável por grandes morticínios. Adquirir conhecimentos é necessário para desenvolver tecnologias e sistemas que façam o mundo mais leve e mais fácil de se viver, mas tudo isso não basta sem uma paralela elevação consciencial. Nem a escola, nem a igreja e nem a família (em princípio os três pilares que se acreditava serem os formadores de um indivíduo sábio e solidário) conseguiram alcançar esse objetivo. Não se nega que um ou outro daqueles sustentáculos podem gerar despertamentos, mas, pelo que se constata, tal contribuiu muito pouco para a formação da humanidade ideal.
Quando falo de desenvolvimento espiritual como fórmula, quero dizer o ser humano saber-se integrado, aberto à cosmovisão e cônscio de que tem uma missão superior neste planeta, acima de ganâncias, competições predadoras e toda sorte de disputas, que infalivelmente levam a grandes inimizades e às guerras. Sem aquele nível de entendimento continuaremos nos digladiando e nos matando por migalhas. Porque, se devemos valorizar os bens terrenos, que são dádivas divinas, não podemos nos devorar uns aos outros por causa deles.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





