Em artigos recentes comentamos a respeito de um novo posicionamento (ousado, inovador e competente) por parte de lideranças empresariais de Londrina com relação ao entendimento da importância dos cursos de Engenharia para o desenvolvimento. No sentido de aprofundar um pouco mais a discussão e os argumentos desenvolvidos nos artigos publicados neste mesmo espaço, volto a essa questão me baseando particularmente em matéria do jornal Valor Econômico, Especial Inovação (15/8/11).
Inicialmente é importante entender que os cursos de Engenharia estão diretamente ligados ao crescimento. Só se tem desenvolvimento com a presença de engenheiros e no Brasil a falta desse profissional assume proporções agudas, de acordo com o presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Guimarães, no momento em que começamos a nos desenvolver. Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formamos no Brasil cerca de 800 mil estudantes no ano de 2008, dos quais somente pouco mais de 4% (32,5 mil) em Engenharia. No mesmo ano o Japão formou 671 mil estudantes em nível superior com 19% (129 mil) em Engenharia e a Coreia do Sul formou um total de 397 mil com 23,2% (93 mil) em Engenharia. Em outros países como Alemanha e Canadá a proporção é semelhante.
Uma boa parte da disparidade do desenvolvimento tecnológico, industrial, econômico e social entre os países pode, portanto, ser facilmente entendida nesse contexto. A disparidade interna entre os estados e regiões em nosso país também pode ser avaliada da mesma forma. Se compararmos o número de cursos de Engenharia entre os diferentes estados é fácil constatar que São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul se destacam neste quesito em comparação aos outros estados da União. A disparidade do desenvolvimento regional também pode ser facilmente entendida no mesmo contexto.
Embora não tenha dados a respeito da formação proporcional de nossos universitários, uma simples busca na internet possibilita analisar o que acontece no Paraná. Considerando somente a UFTPR, a UFPR e a PUC verifica-se que existem 27 cursos de Engenharia nessas instituições em Curitiba (isto mesmo: 27 cursos somente em 3 instituições de ensino superior na mesma cidade). Cursos de Engenharia Mecânica e Elétrica existem em todas essas instituições. Cursos de Engenharia Química existem em duas delas (UFPR E PUC). Isto sem falar de outros cursos com ênfase tecnológica como Geologia, Matemática Industrial, etc. E sem falar das instituições de ensino superior privadas. Não é por acaso o forte desenvolvimento industrial de Curitiba e o poder de atração que a capital do Estado exerce sobre empresas de porte.
A solicitação recente por parte da Universidade Estadual de Londrina (UEL) à Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia (Seti), em consonância com demandas levantadas pela sociedade local e lideranças empresariais da Associação Comercial e Insdustrial de Londrina (Acil) e Sinduscon, de criação de novos cursos de Engenharia reveste-se, portanto, de extrema importância para o município, para a região, para o Paraná e para o país. A criação de novos cursos de Engenharia em Londrina, e em outros municípios do interior é de vital importância para o desenvolvimento dessas regiões e para a superação do absurdo nível de disparidade da industrialização existente em nosso Estado quando se compara a capital com o interior.
Criar esses cursos é investimento e é essencial que o poder público estadual (que em primeira instância negou o pedido da UEL) se proponha a superar a velha dificuldade associada ao entendimento do que é custo e do que é investimento em nosso Estado e rediscuta sua posição inicial.

IVAN FREDERICO LUPIANO DIAS é professor doutor do departamento de Física da Universidade Estadual de Londrina e autor do projeto de industrialização de Londrina como um Polo Tecnológico

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