ESPAÇO ABERTO
AVC, você pode sofrer um
Uma dor de cabeça forte e sem causa aparente, uma súbita perda da sensibilidade no rosto, dificuldade para falar, dormência no braço e até a completa paralisia em um dos lados do corpo. Esses e outros sintomas do acidente vascular cerebral (AVC) são vivenciados por mais de 250 mil pessoas a cada ano, 700 casos por dia, 30 por hora, 1 a cada 2 minutos, no Brasil. Cerca de 130 mil dessas vítimas, mais da metade, morrem em consequência da doença. Já os sobreviventes, terão de conviver com diferentes graus de sequelas nas funções motora, sensitiva, mental, perceptiva e da linguagem.
Se considerarmos apenas as vítimas atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), são cerca de 200 mil internações por AVC ao ano, que além dos incalculáveis prejuízos às vítimas, resultam em um custo de aproximadamente R$ 270 milhões para os cofres públicos. É a maior causa de incapacitação da população na faixa etária superior a 50 anos, sendo responsável por 10% do total de óbitos e 40% das aposentadorias precoces no Brasil.
O AVC ocorre por uma interrupção abrupta da irrigação do sangue ao cérebro. Existem 2 tipos, o isquêmico, causado por espasmo ou trombose arterial, e o hemorrágico, em que há rompimento e hemorragia de uma artéria cerebral. Mais de 60% dos casos de AVC são causados pela hipertensão arterial não controlada. Outras causas são: tabagismo, colesterol elevado, diabetes, envelhecimento, arritmias cardíacas e aneurismas cerebrais congênitos. A principal arma contra o AVC é o efetivo controle da hipertensão. Um hipertenso não controlado tem sete vezes mais risco de sofrer um AVC que aquele que mantém a pressão em ''12 por 8''. No Brasil há 40 milhões de portadores de hipertensão, cerca de 30% da população adulta. A campanha ''Eu sou 12 por 8'', da Sociedade Brasileira de Cardiologia, alerta para os benefícios de se ter uma pressão normal ou controlada. Neste sábado, ocorre o dia Mundial de Combate ao AVC, com ações informativas à população em várias cidades.
MARCUS VINÍCIUS BOLÍVAR MALACHIAS é presidente do departamento de Hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia
Elevar para a luz os que se foram
O dia 2 de novembro é quando a maioria das pessoas vai aos cemitérios reverenciar seus queridos, mas muitos não fazem isso - conscientes de que mortos não existem, porque a vida continua em outro plano - preferindo homenageá-los em locais mais agradáveis. Os ditos mortos não se consolam com nosso sofrimento por eles, mas ao contrário, sofrem e se desgostam com nossas dolorosas manifestações de perda. E os que deixam a vida terrena vítimas de assassinato padecem muito quando seus próximos, aqui, clamam obsessivamente por justiça e desejam que os algozes recebam as maiores penas. Muitos pensam que isso alivia a alma da vítima, mas tal não ocorre, porque esta, com a transcendência, geralmente encontra uma claridade de entendimento (embora essa lucidez imediata não aconteça com todos) e perdoa os que lhe tiraram a vida. Revelações mediúnicas atestam isso com frequência. Os que ficam, geralmente mergulham em denso nevoeiro de revolta, e isto é ruim para as duas partes.
Então, são também os familiares que precisam de oração para que contenham sua ira, sofram menos e assim permitam a elevação dos que se foram. Nem por justiça divina deve-se clamar, porque Deus deve ter outro sentido das coisas. Tais manifestações são sempre repletas de rancor e trazem as vítimas para o palco da tragédia que as envolveu. Essa revivência as machuca muito. Se amamos um filho ou um amigo que se foi, devemos evitar isso.
Sobre a morte, todos a tememos, porque não buscamos saber o que há além dessa cortina. Mas é inconcebível imaginar que o além-túmulo nos coloque num fogo do inferno. É frequente passarmos por lugares de purificação, às vezes em meio a remorsos e sofrimento. E isto não é punição divina, mas a imutável lei de causa e consequência. O que vivemos aqui, iremos viver da mesma forma logo ali, levando virtudes, vícios e inclusive as doenças, em preparação para uma nova encarnação ou para subidas mais altas. No Dia dos Mortos (e em qualquer dia) devemos aceitar a realidade e evitar chamá-los de volta com clamores de que eles nos fazem falta, e sim elevá-los para a luz com nossos pensamentos e sentimentos.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





