ESPAÇO ABERTO
A anemia do sindicalismo
O país experimentou duas enfadonhas greves que, modestamente, afetaram alguns segmentos da sociedade organizada. As greves dos Correios e dos bancos ressuscitaram panfletos, cartazes e manifestações que há tempos não se via. Ambas nasceram prejudicadas pela mídia eletrônica, pois muita gente hoje utiliza a internet para se comunicar e pagar compromissos. Talvez aí possamos perceber que o clamor popular foi medíocre para as duas situações, apesar de parte da população ainda precisar dos bancos. O que se extraiu das greves foi um enfraquecimento sindical pleno. Pouca adesão e números contrastados nas informações de patrões e empregados, com rara vontade em lutar por melhores condições, traduzida numa apática intenção em ver tudo resolvido. Idealismo inexpressivo.
Sem acordo recorre-se à Justiça que, doutrinadamente, vai interpretar a letra da lei, tendo como base que a reposição salarial está, sim, sendo cumprida, mas as históricas perdas ao longo dos anos ficarão na esperança infinita em receber um dia, já que, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, o agente público tem limites de gastos com efetivo de pessoal. Como lidar, então, com essa situação? Notoriamente, a presidente do Brasil parece ter uma intuição diferente de seu antecessor e deixa rolar. Bem sabe ela que boa parte dos que ainda se julgam sindicalizados não possui razão no pleito, já que muitos são originados do mesmo embrião oposicionista como ela, mas que agora ocupam o governo. Há um conhecimento mútuo e profundo do ''fogo amigo''. Se a escolha de bancos e Correios foi para se desestabilizar o governo o tiro saiu pela culatra. Não há percepção do imprescindível. Os pensionistas sacam seus valores em caixas eletrônicos e muitos credores, inclusive estatais, estão solícitos com a prorrogação de prazo no vencimento das contas e taxas.
E os sindicatos? O que podem fazer? A julgar pela popularidade do atual governo é plausível que alguns sindicatos revejam seus papéis e passem a atuar de modo a recuperar algo que para muitos já se perdeu: o fio do bigode.
WILMAR MARÇAL é professor em Londrina
Pés no chão, olhar nas estrelas
Verdades sobre o transcendente, ainda pouco conhecidas ou não aceitas, irão entrando pelas nossas janelas como uma brisa suave, e vão ganhando intensidade até que se convertam num vendaval e todos sentirão sua presença. Na crista dessa torrente chegam luzes de entendimento, e no momento preciso cada qual irá absorvendo-as. A estratégia divina não se precipita e não se manifesta a ninguém antes do tempo, pois seria um desperdício falar a ouvidos que não querem ouvir, mostrar a olhos que não querem ver, e revelar a sentidos que não querem sentir. Tudo na ocasião certa, porque há tempo de plantar e tempo de colher.
Nesta era de turbulência paira no ar uma nova ordem transformadora. Fatores externos podem ter influência, mas o portal para a grande abertura tem o trinco pelo lado de dentro, e movê-lo é decisão de cada um. Tal acontece muitas vezes por um gesto espontâneo e nem percebido. Se uma coisa é válida e necessária, cedo ou tarde ela se manifesta. E se alguém evolui, leva outros e evoluírem também. No caso de líderes religiosos, se eles se mantêm estacionados, induzem a também reter seus seguidores, embora haja entre estes os que se desgarram e seguem um rumo próprio.
Estamos no limiar da explosão de uma cultura espiritual, mas nada acontecerá de abrupto e sim gradativamente, porque em todas as coisas a natureza não dá saltos. O aprisionamento a normas equivocadamente estabelecidas irá até certo ponto, mas em dado momento os grilhões de crenças cegas e condicionadas se rompem e então os seres, assim libertos, emplumam suas asas e alçam voos mais altos.
Os condicionamentos se findam com a expansão gradual da consciência, e é quando os sentidos se unem com a essência - podendo-se simbolicamente dizer a fusão da mente racional com o coração. Não devemos tirar os pés do chão, se é aqui que estamos no momento, cumprindo carmas e missões individuais, mas nas horas vagas devemos expandir nossa cosmovisão e viajar no rumo das estrelas. Porque é lá onde iremos encontrar nossa verdadeira identidade.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





