Inovando para um Brasil Maior
Paulo Varela Sendin


No início de agosto o governo federal lançou um programa de apoio à competitividade com o nome de Brasil Maior e optou por uma frase de efeito focada na inovação: Inovar para competir, competir para crescer. Muito interessante e pertinente esse foco na inovação. Talvez o fato mais importante dessa iniciativa seja a sua frase de efeito, centrada em inovação. Já é tempo do Brasil acordar para o fato de que a competitividade da economia nacional depende, na essência, de nossa capacidade de inovar. Embora tenha que se levar em conta os diversos outros entraves enfrentados pelos empresários brasileiros, é na inovação que devemos buscar as soluções. E, para isso, precisamos fomentar uma verdadeira ‘‘revolução cultural’’ no bom sentido da palavra.
Uma mostra da necessidade de se disseminar a cultura da inovação no empresariado pôde ser visto no artigo ‘‘Brasil Maior é menor do que a expectativa’’ do vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Juan Quirós (Espaço Aberto, 28/09). O articulista comentou vários aspectos da proposta do governo, mas nem sequer mencionou a palavra inovação. Nesse aspecto, podemos dizer que o Paraná está à frente de São Paulo, pois nossa entidade empresarial, a Federação das Indústrias do Estado do Paraná, tem mantido não só um claro discurso de apoio à inovação como vem desenvolvendo diversas ações concretas nesse sentido.
 Entretanto, não só setor empresarial deve ter a inovação como palavra-chave e foco de seu discurso. É preciso que a cultura de inovação se dissemine pela sociedade de forma sistêmica. E, para isso, é indispensável o papel da imprensa que, ao analisar as diversas tendências e fatos econômicos precisa destacar a inovação.
Se pretendemos ter um Brasil Maior, como diz o programa do governo federal, é imprescindível que tornemos em realidade a frase de efeito escolhida, pois sem inovação nunca seremos competitivos e se não formos competitivos, nunca teremos um Brasil maior.
PAULO VARELA SENDIN é engenheiro agrônomo em Londrina


As muitas formas de dízimo
Walmor Macarini


Na Idade Média o dízimo existia para manutenção das viúvas, órfãos e outros necessitados porque eles não tinham renda. Mais tarde as igrejas passaram a requisitar a mesma contribuição, que correspondia (como ainda hoje) a 10% dos rendimentos de cada colaborador.
Todas as igrejas precisam de ajuda para manter-se. Há as que têm mais patrimônio instalado, representado pelos seus templos e instituições seculares, mas pouca provisão financeira. Os padres e tantos outros pregadores têm vida modesta ou se doam graciosamente. Mas há organizações religiosas que, além de suas sedes, alugam auditórios e horários nas TVs (ou têm suas próprias) e arrecadam muito. Alguns de seus titulares centralizam a guarda do dinheiro e manipulam fortunas, inclusive em benefício pessoal. Essas verdadeiras empresas religiosas deixam supor que não arrecadam dinheiro para a causa de espiritualizar fiéis, mas para abrir mais templos, obter mais tempo na mídia eletrônica e assim arrecadar mais.
Mas o que desejo focar é que não há obrigatoriedade de a ajuda ser um dízimo, porque pode ser uma fração dele, ou pode ser mais, de acordo com posses e vontades. O dízimo não precisa ser só para as igrejas mas também para outras instituições - de caridade ou não. E dízimo também pode ser doarmos 10% do nosso tempo para um ato de caridade ou para qualquer outra boa causa. Pode ser a doação de 10% do nosso dia para semear palavras amigas e de incentivo e solidariedade. Pode ser 10% de dedicação a um ser humano ou um animal que sofrem. Pode ser 10% de dispensação diária para plantar uma árvore, cuidar do ambiente e, por extensão, do planeta.
Dízimo pode ser 10% de coragem para um alto brado de protesto contra as injustiças. Pode ser 10% de silêncio, quando é preciso calar, ou para orar pela paz individual e em benefício da humanidade. Dízimo pode ser dedicarmos 10% da atenção para os cuidados com nossa própria saúde (porque o corpo é um santuário e dádiva divina), para o exercício do perdão e da fraternidade e para a busca de nossa elevação moral e espiritual.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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